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Tudo começou com um patinho feio. Confesso que, num primeiro instante, não dei lá muita bola para ele:  estava entretido com outras coisas, mandando currículos por e-mail, conversando com amigos distantes pelo MSN, talvez ouvindo algum jogo do Grêmio pela Gaúcha Online, agora não lembro mais. Mas ele ficou ali, parado no meio do meu Facebook, olhando para mim com aquela expressão triste dos desgraçados, aquele ar de trágica solidão comum a todos os animais de mentirinha do mundo virtual. Abaixo dele, uma breve legenda explicava que se tratava de um pobre patinho, que havia sido expulso de sua antiga fazenda e que agora esperava que eu, pobre criança de apartamento vitimada pela vida da metrópole, pudesse oferecer um lugarzinho onde ele pudesse viver e ser feliz.

Cedi, admito. Deixei-me levar pela cara de coitado do bichinho, pela tocante frase implorando por afeto e, especialmente, pela curiosidade em saber o que diabos era, no fim das contas, aquele maldito Farmville que não parava de aparecer nos avisos do meu Facebook. Somando essa série de sentimentos, cliquei no link que dizia “adote o patinho”, e eis que me vi jogado sem aviso no estranho mundo do Farmville, o mundo mágico onde, imaginava eu, o coitado do pato poderia achar um lago calmo no qual se transformaria num lindo cisne e por aí vai.

Ao invés disso, me vi lançado num terreno minúsculo, com algumas sementes de beterraba e couve-flor esperando para serem plantadas. Uma música muito chata tocava sem parar nos meus ouvidos, de modo que antes de me preocupar com sementes e arados eu preferi encontrar o botão que desabilitava aquela estridente e desagradável sinfonia pseudo-caipira. Uma vez interrompido o martírio, concentrei meus esforços em tentar entender os mecanismos básicos daquela lavoura virtual. Aparentemente, era necessário que eu plantasse as sementes, cultivando-as com cuidado para que elas crescessem e virassem um bonito pomar ou plantação. Feito isso, eu deveria colher os frutos de meu esforço, vender a colheita em algo que me parecia uma mercearia internética e, com os lucros de minha honesta labuta, ampliar minhas instalações naquela fazenda – ou, caso preferisse o caminho do capitalismo mais selvagem, comprar equipamentos para plantar mais hortifrutigranjeiros, ter ainda mais lucros e logo ficar rico, muito rico.

Plantei, se bem me lembro, algumas beterrabas num pedaço do terreno – mas, quando o jogo me avisou que eu deveria esperar alguns dias para ver o que ia surgir dali, acho que comecei a desanimar. Não adianta, sou um filho do concreto e da poluição, não tenho a vivência e a paciência necessárias para a agroindústria, ainda que virtual. Em menos de cinco minutos, entediei-me imensamente com aquela fazendinha sem sal. Meu cérebro, sempre disposto ao cinismo e à auto-ironia, começou a listar uma série infindável de coisas mais úteis e menos absurdas do que passar o tempo plantando sementes que não existem para colher frutos que ninguém pode comer, de modo que rapidamente capitulei e desisti daquela coisa toda.  Não que eu tenha feito qualquer uma das coisas mais úteis e menos absurdas que me vieram à mente naquele momento, mas enfim. Fechei o aplicativo, saí do Facebook e imediatamente dei por encerrada minha vida de fazendeiro de site de relacionamento.

Meio cedo demais, admito. Pois, para meu horror, o Facebook se recusou a me deixar desistir tão rápido daquela agricultura de subsistência digital. Durante dias, recebi avisos em minhas atualizações – quase sempre amistosos, lembrando que eu devia irrigar minha lavoura e que eu poderia usar meu dinheiro para comprar madeira, fazer um silo ou uma baia, essas coisas. Isso sem contar a quantidade imensa de pessoas que, avisadas sei lá eu como de que Igor Natusch tinha virado um fazendeiro virtual,  vinham me oferecer todo o tipo de presente – desde sementes até fertilizantes, passando por animais de fazenda, madeira para construção e até propostas para ser meu vizinho, o que encarei como um prova de consideração e muito me honrou. O problema é que, a essa altura, eu não queria mais saber de Farmville nenhuma – e não conseguia descobrir um jeito de me livrar dela, o que convenhamos que é bem angustiante. Depois de muito procurar, achei um meio de ocultar indefinidamente as atualizações relativas à minha fazenda – o que, admito eu, é uma solução meio covarde, já que não só abandonei o navio como deixei os ratos tomarem conta de tudo sem olhar para trás. Mas enfim, o que me restava fazer, nesse caso?

Hoje em dia, nem quero pensar na situação calamitosa que deve ter tomado conta de minha humilde fazendinha. As beterrabas devem ter apodrecido no pé, o arado enferrujou, a terra cultivável deve estar tomada de ervas daninhas. O pobre patinho feio, coitado, deve estar escondido no meio das touceiras, sonhando com um lago de águas límpidas e com o dia em que poderá virar um cisne altivo e feliz. Os candidatos a vizinho ainda insistem, com a persistência dos amigos mais valorosos – mas, devo dizer, é um esforço em vão. Minha terra inculta não presta para nada, nela não está plantado nem um pé de alface, mas mantenho a posse compulsória do terreno e dele não consigo me livrar. Acabei virando, Deus me perdoe, um latifundiário. Resta-me aguardar a evolução do jogo, e torcer para que um dia agricultores mais dedicados e interessados surjam para tomar a terra de mim e fazerem algo mais produtivo da minha lastimável lavoura abandonada.

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Esse post, embora curto, é praticamente comemorativo. Afinal, hoje foi o dia em que eu e um milhão e tanto de moradores de Porto Alegre entramos para a história. Às 17h30 de hoje, dia 03/fev/2010, um termômetro no bairro Menino Deus marcou 41,3ºC – temperatura que vem a ser a mais alta já registrada na cidade desde o começo das medições, no mui distante 1910. Ou seja, tivemos simplesmente o dia mais quente dos últimos 100 anos. Mais: o AccuWeather apontou a região de Porto Alegre como a mais quente do mundo nas últimas 48 horas. Claro que em alguns lugares tivemos temperaturas absolutas bem maiores, como no Saara, por ex – mas não esqueçamos que no deserto a temperatura cai muito quando a noite chega, de modo que a média do dia fica muito mais baixa do que o esperado. Na ponta do lápis e nos cálculos dos medidores, a região metropolitana de Porto Alegre venceu todo o resto do mundo – incrível, eu sei, mas absolutamente real.

No momento em que digito essas linhas, o termômetro marca 33,1ºC em Porto Alegre – e são 00:36 da madrugada de quarta para quinta-feira. Todas as informações dos institutos de meteorologia dizem que a temperatura não baixará dos 30ºC – algo inédito. Já estão desligando preventivamente a luz em algumas regiões da cidade, para evitar um apagão… Com tudo isso, não tenho a menor esperança de dormir hoje – sou uma pessoa calorenta por natureza, e mesmo em noites mais amenas do que essa (ou seja, todas) tenho dificuldade de conciliar o sono, então já viu. Vou passar a madrugada ouvindo música, lendo, escrevendo, sei lá – tentando desligar o cérebro desse calor horrendo e pensar em qualquer outra coisa.

De qualquer modo, sou testemunha de um momento histórico, de uma história que será contada em prosa e verso para as incrédulas gerações que virão – os dias em que Porto Alegre virou Forno Alegre, a cidade mais quente do planeta. Sinto-me quase orgulhoso, como talvez se sinta um sobrevivente de guerra. Ou de batalha, apenas: a previsão é de calor insano até segunda-feira que vem, com a possibilidade de atingirmos os 42ºC e, quem sabe, até superarmos o recorde nacional, de assustadores (mas alcançáveis) 45°C em Orleans (SC) e Paratinga (BA). A essa altura, eu não duvido – convenhamos, quem já chegou até aqui pode ir uns míseros graus Celsius mais longe…

Fica esse post como registro comemorativo, como abertura de campanha, e também como documento, caso todos morramos derretidos. Foi um privilégio, e até a próxima, se houver…

Nos últimos dias, tenho sido levado a pensar muito sobre falsidade, mesquinhez, desonestidade e sobre ‘backstabbers’ em geral. Vocês sabem: pessoas que traem nossa confiança, que tratam nosso carinho e nossa amizade como moedas de troca, que fingem estarem ao nosso lado e, assim que a oportunidade ou a necessidade surge, enfiam a faca em nossas costas e a torcem sem a menor cerimônia. Nos últimos dias, tive pelo menos duas longas conversas com amigos (de verdade) sobre isso, o que obviamente me levou a meditar um pouco sobre a questão.

Pessoalmente, considero a amizade uma coisa sagrada. Num mundo tão duro e terrível como o que construímos para nós, numa existência na qual as esperanças escasseiam e o individualismo covarde e insensível é cada vez mais incentivado, uma amizade é um raio de luz, um ponto de apoio, um rastro de cor no meio do cinza. Sem amigos, estamos perdidos; a vida se torna um balé insano, acompanhamento inútil de uma sinfonia do vazio. Assim sendo, não surpreende que eu considere qualquer gesto de traição a uma amizade uma das coisas mais baixas e deprimentes que qualquer ser humano pode fazer. Amizades estão, ou deveriam estar, acima de empregos e lucros, posses e conquistas, vaidades e glórias pessoais. Quem inverte essa balança, quem coloca qualquer uma dessas coisas acima da compaixão e do sentimento pelo próximo, não passa de um coitado digno de pena e desprezo. Alguém que trai a confiança e o sentimento de outra pessoa comete um crime contra a humanidade, a dos outros e a sua própria. E, embora sempre haja tempo para mudar um caminho, me entristece ver como tanta gente avança sem hesitar na direção do sucesso ilusório e inútil – e quanto mais longe elas vão, mais difícil e menos provável fica a sua redenção.

Obviamente, já levei algumas facadas nas costas, como todos vocês aí devem ter levado também. Para os que, como eu e muitos de meus amigos e conhecidos, vivem dentro do mundo do jornalismo e da comunicação de modo geral, essa é uma triste realidade que se manifesta com desagradável frequência. A amizade e o sentimento humano, quando verdadeiros, não esperam recompensa – mas não deixa de ser lamentável ver que muitas vezes oferecemos tanto para certas pessoas, e o que damos acaba sendo tratado com desprezo e indiferença, em nome de coisas que no fim das contas não valem absolutamente nada. Em alguns casos, poucos, pude notar sinais de arrependimento, talvez uma intenção sincera de mudança; na maioria das vezes, porém, restou apenas a indiferença dos deslumbrados ou, pior ainda, a tentativa repleta de falsidade, a busca interesseira por uma reaproximação contaminada pela desonestidade. As últimas, podem ter certeza, são as que me feriram mais e as que me fizeram, em momentos de dor e desatino, duvidar de toda bondade humana.

Muito mais do que raiva ou desgosto, sinto pena dessas pessoas – e isso, acreditem ou não, não é apenas um clichê auto-afirmativo. Imagino como deve ser triste viver uma vida como essa, na qual nada permanece, onde tudo não basta de uma eterna disputa por status e posições. Uma existência sem ligações profundas, na qual as pessoas vêm e vão. Um caminho coberto de sombras, onde nos falta a sinceridade e tudo que nos resta é perfídia e mesquinhez. Uma vida vazia que detestamos tanto, mas tanto, que a única coisa que nos sobra é propagandeá-la aos quatro ventos, tentando convencer a todos de como ela é intensa e emocionante e bem sucedida e feliz. Onde nos resta tentar estragar ou atrapalhar a vida dos outros, para que a nossa própria vida pareça, em comparação, menos estúpida e deplorável. Onde vamos gradativamente esquecendo tudo de bom, e acaba nos sobrando apenas um imenso e insaciável vazio. Uma imitação de vida. Uma farsa.

A essas pessoas, dedico esse pequeno post, e também uma canção, logo abaixo. Como tenho dito por aí, Bob Dylan sabe das coisas. A letra da música está no vídeo, é só acompanhar. Essa, falsos amigos de todos os lugares, é para vocês. Depois dela, só me resta desejar que continuem fingindo ser felizes, e que talvez consigam convencer a si mesmos disso. Mas, por favor: bem longe de mim.

O pequeno cãozinho sentou-se  no meio do Viaduto da Borges de Medeiros como se aquele lugar fosse dele, como se aquela calçada fosse sua propriedade eterna e inalienável. Era um vira-lata magrelo, de pêlo café-com-leite, algumas manchas pretas, várias costelas aparecendo. Seu dono não devia estar longe: pelo menos três moradores de rua dormiam a poucos metros do cão, cobertos debaixo de sujeira, indiferença e tiras de papelão. Na verdade, talvez o bichinho seja mesmo dono daquele espaço de chão, e eu que não tenha me apercebido disso. Afinal, quantas vezes terá o cachorro dormido ali, em noites frias ou calorentas, em quintas-feiras movimentadas ou domingos preguiçosos? As ruas têm suas próprias regras, seus códigos e soluções, então vai saber. Seja como for, sentou-se na calçada, com a inconsequência dos jovens de todas as espécies, com o ar distraído e tranquilo dos que nada entendem de stress, pressa ou compromissos.

Tal era a tranquilidade que emanava do bicho, tão forte era a sensação que ele passava de ser o dono daquele pedaço de pavimento, que de alguma maneira as pessoas que andavam por ali tornaram-se silenciosas cúmplices aquela auto-proclamada autoridade. Desviavam do cachorro de maneira quase inconsciente, muitas vezes sem nem olhar para baixo, convencidas de alguma forma mágica de que aquele animal estava em seu lugar e que a melhor coisa a fazer era seguirem em frente, sem incomodá-lo. Homens de terno e gravata, jovens moças sorridentes, vendedores ambulantes, trabalhadores, vagabundos e apressados de todos os tipos – todos desviavam do pequeno animal, sem ousar perturbá-lo, sem questionar a autoridade do grande espírito que comanda as ruas de todas as metrópoles do mundo.

Foi quando surgiu o casal. Não faço ideia de onde vieram; um casal humilde, com aquela idade indefinível dos pobres e sofridos, dos que tratam de viver sem ficarem contando a passagem dos dias e dos anos. O homem usava um jeans velho e chinelos de dedo; a mulher carregava uma bolsa chamativa e uma blusa que devia ter sido vermelha, mas agora tinha assumido um estranho tom de rosa esbranquiçado. Nenhum dos dois tinha todos os dentes na boca. Andavam de mãos dadas, sorrindo e conversando, como geralmente fazem os casais que se sentem felizes com a ideia de serem casais. Não eram um casal de tevê, de novela das oito; com certeza, eram muito mais interessantes. Iluminavam aquele viaduto sujo e mal cuidado com a beleza pura e ingênua do sentimento que nutriam um pelo outro, e eu gostei de vê-los, gostei de ser de certo modo testemunha daquela união.

E caminhou o casal em direção ao cão, atravessando a distância entre eles, aproximando-se até que a interação entre eles fosse inevitável. Ao contrário de muitos, perceberam o animal, e creio que comentaram algo a respeito dele, pois olharam para ele, olharam um para o outro e riram. E como precisassem desviar do bicho, e como não quisessem separar as mãos, simplesmente distanciaram-se um pouco um do outro, as mãos ainda dadas, erguendo levemente os braços em um pequeno arco. No momento em que passaram por cima do cachorro, o bichinho ergueu o olhar para um deles, com expressão de curiosidade, como quem honestamente não entendesse o propósito daquele improvisado balé. E assim os vi, o casal de mãos dadas, entre eles o cachorro, sobre o cachorro duas mãos que se uniam num misto de moldura e bênção.

Lamentei muito, muitíssimo mesmo, não ter algum equipamento comigo, ao menos um celular que pudesse registrar visualmente aquele momento de inesperada mágica. Se eu tivesse os meios, e se eu tivesse o talento, talvez pudesse ter extraído daquele pequeno instante parte da beleza que nele senti, e gerar uma imagem que fizesse a ele um mínimo de justiça. Mas assim não foi, infelizmente. Resta a imagem da minha visão, a foto agora impossível que carrego na minha retina e na minha memória. É uma bela foto, podem acreditar. De qualquer modo, a cidade segue me mandando esses sinais, esses pequenos momentos mágicos, essas histórias que se revelam e que precisam ser contadas. Não sei se a intensidade realmente aumentou, ou se sou eu que agora percebo melhor, que estou mais atento, os olhos mais abertos.

Enfim. Acho que preciso arranjar uma máquina fotográfica.

Took a long time to come

Esse post se presta a três objetivos. O primeiro, e mais óbvio, é colocar algo legal aqui como primeira postagem de 2010. O segundo é exemplificar o som do The Zombies, que foi citado aqui, dois posts atrás. E por fim, o videozinho que surrupio do YouTube e coloco aqui serve como um desejo, muito sincero e de coração, para todos que derem uma passadinha por aqui – e em especial a todas as pessoas que contribuem, muitas vezes sem ao menos saberem disso, para a minha vida ser agradável e digna de ser vivida. A letra é bem simples, mas mesmo assim colo abaixo para quem quiser acompanhar. Enfim, sem mais delongas, “This Will Be Our Year”:

The warmth of your love
is like the warmth of the sun
and this will be our year
took a long time to comeDon’t let go of my hand
now darkness has gone
and this will be our year
took a long time to come

And I won’t forget
the way you held me up when I was down
and I won’t forget the way you said,
“Darling I love you”
You gave me faith to go on

Now we’re there and we’ve only just begun
This will be our year
took a long time to come

The warmth of your smile
smile for me, little one
and this will be our year
took a long time to come

You don’t have to worry
all your worried days are gone
this will be our year
took a long time to come

É isso. Volto com algo mais típico da próxima vez. Por enquanto, fiquem numa boa, e comecem desde já a fazer de 2010 um ano especial. Saudações a todos, e até logo.

Começo a digitar esse texto sem ter a menor ideia de como ele vai ser, muito menos de como – ou quando – ele vai acabar. Talvez, de todas as coisas que escrevi aqui nesse ano, essa seja para mim a mais importante de todas – afinal, é o momento de olhar por cima dos ombros, contemplar tudo que aconteceu e que não aconteceu no meu 2009 e tentar tirar de tudo, se não uma conclusão, ao menos algumas lições e caminhos para o futuro. Entender quem eu sou sempre foi um dos meus objetivos de vida, e um dos meus maiores desafios – talvez por isso, inclusive, eu observe tanto os outros, os anônimos das ruas e esquinas da vida: para ver neles algo de mim mesmo e, tentando entendê-los, compreender melhor a mim mesmo. E sério mesmo, esse 2009 foi um ano tão intenso e cheio de aprendizados que eu sinceramente, realmente, definitivamente nem sei por onde começar. Dá quase um frio na barriga, na verdade. Mas eu devo isso nem tanto a vocês, mas especialmente a mim mesmo – e não sou de recuar diante dos desafios ou das coisas que me dão medo, então… Coloquem uma música legal para tocar, uma bebida gelada do lado, e venham comigo, porque certamente vou precisar de companhia!

Bem, como eu imagino que a essa altura praticamente todo mundo que ler esse texto já saiba, o catalisador das mudanças no meu 2009 foi a minha decisão de tentar a sorte em São Paulo – decisão que se confirmou depois de uma visita de dez dias em janeiro, e que foi o ponto culminante de uma série imensa de dúvidas, ansiedades, sonhos e expectativas que tomavam conta do meu espírito. Tudo precisava mudar, e rápido – eu não podia esperar, entendem? Nem mais uma semana, nem mais um dia, um minuto que fosse. Era tanta urgência que eu fui, sem emprego certo, para morar de favor em um sótão, sem dinheiro para ficar muito tempo por lá, movido basicamente por uma grande necessidade de assumir os riscos e fazer algo diferente da minha vida. Saí na segunda metade de março, sem expectativas, mas cheio de esperanças. E agora em dezembro eu retorno uma vez mais para casa, para Porto Alegre, para ficar com a minha família até pelo menos o início de janeiro – um retorno ao estaleiro que pode se estender um pouco ou bastante, dependendo das circunstâncias. Volto sem emprego fixo, sobrevivendo de frilas e da caridade alheia, sem dinheiro para comprar roupas novas ou qualquer outra coisa, sem nada por lá (ou aqui) que eu possa chamar de meu. Materialmente falando, termino esse ano de 2009 com uma mão na frente e outra atrás, longe do tipo de história de sucesso que talvez alguns preferissem que eu pudesse contar aqui.

Isso quer dizer que me arrependo? Nunca. Jamais, de jeito nenhum. Pelo contrário, e isso talvez seja a maior conquista de 2009 para mim: depois de muito, muito tempo mesmo, posso terminar um ano dizendo que não me arrependo de nada. Absolutamente nada. Talvez as coisas pudessem ter sido diferentes, talvez eu pudesse ter agido de modo distinto em certas situações, talvez eu pudesse ter sido mais prudente, ter tido um pouco mais de malícia, ser mais cérebro e menos coração, vai saber? Mas eu posso chegar agora na frente de vocês, amigos/as e leitores acidentais, e dizer de peito aberto que eu fiz as coisas do meu jeito. Que eu não tive medo. Que quando eu quis dizer as coisas, eu as disse, e quando quis fazê-las, eu as fiz. Que eu joguei tudo para o alto, sim, e que eu percebi que talvez o passo fosse maior que as pernas, sim, mas que eu fiz o que eu senti que tinha que fazer, do jeito que eu achei que tinha que fazer, sendo fiel ao meu sentimento e ao meu coração. E foi a coisa certa. Talvez tenha sido a coisa mais certa que eu fiz em toda a minha vida. E eu não me arrependo de nada. E que é bom, muito bom mesmo sentir que fez a coisa certa, por mais que as coisas tenham saído de controle, por mais que não haja certezas e que não se tenha nenhum sinal claro de como será o amanhã.

E eu aprendi muita coisa. Tanto que eu acho que ainda estou absorvendo tudo, e que vai levar um tempo considerável até eu racionalizar todas essas lições que a vida me deu. Poderia passar dias listando todas as coisas que aprendi, e estou aprendendo, nessa jornada de redescoberta e reencontro pessoal. Aprendi a tentar entender os pequenos gestos, a ver por meio deles quem realmente se importa, e a fazer tudo que posso para valorizar essas pessoas e demonstrar a elas meu carinho e gratidão. Aprendi a ser grato pela comida que me servem, pelo teto que me protege do sol e da chuva, pelo canto em que me ajeito para dormir e pelo lençol que me dão para eu me proteger do frio. Aprendi, ou tenho tentado aprender, a gostar das pessoas sem esperar nada delas em troca, mas dando prioridade para as que demonstram capacidade de entender e corresponder, cada uma a seu modo, a essa afeição. Aprendi que a pressa é um estado de espírito, que no caso não me serve nem um pouco. Aprendi que, quando existe pelo menos uma pessoa nesse mundo que se importa com a gente, então nunca estamos realmente sozinhos. Aprendi a chorar de saudade, escolhendo o melhor momento, quase em silêncio e sem nenhum estardalhaço. Aprendi a andar sozinho, pelo simples prazer de caminhar, e descobri como é bom fazer companhia a si mesmo. E acho que aprendi, acima de tudo, qual é o meu papel nesse mundo, o motivo pelo qual me jogaram nesse lugar maluco e sem sentido – e acho que isso é tão importante, ao menos para mim, que vou abrir outro parágrafo para tentar desenvolver melhor.

Acredito em mágica, sabe? Não exatamente mágica do tipo truques e prestidigitação, mas no sentido de que existe mais no mundo do que a gente enxerga, de que a vida é cheia de coincidências que no fundo não são coincidências coisa nenhuma, de que a existência é muito mais do que uma barulhenta e apressada jornada do nada para lugar nenhum. Existe algo que a gente ainda nem começou a entender direito, e que possivelmente não entendamos nunca, mas que está sempre presente – e acho que um pouco dessa mágica se manifestou algumas vezes diante dos meus olhos, tendo sido especialmente forte durante o ano que passou. E acho, sinceramente, que recebi alguns recados, que só estou entendendo mesmo agora, que parei para pensar a respeito. Nada sobrenatural, nada de revelações divinas ou qualquer coisa do tipo – apenas alguns “toques”, digamos assim. E o que eles me dizem, basicamente, é: seja jornalista, Igor Natusch. Não um jornalista feliz empregado na Folha ou na Zero Hora, um eficiente criador de conteúdo capaz de galgar degraus na hierarquia de uma grande empresa; não é disso que estamos falando. Trata-se de ser um jornalista como eu era lá no primeiro grau, quando conversava com os colegas e dizia que queria trabalhar na área – um jornalista de alma. Alguém que sente, olha, pergunta, tenta entender, pensa e registra. Alguém que está no meio da vida, tentando decifrá-la. Claro que é muito mais fácil e mais cômodo viver alheio ao fato de estar vivendo, e acho mesmo que a felicidade é tanto mais fácil quanto menos a gente pensa sobre a vida. Mas não posso negar o que sou, o que fui durante a vida toda mesmo sem ter plena consciência disso, e o que é no fim das contas tudo que posso ser. Sou um jornalista quando escrevo, quando sento numa cadeira de bar, quando toco violão, quando pego uma câmera ou posiciono luzes num cenário. Sou jornalista quando converso com o balconista, quando estou com uma mulher, quando brinco com um cachorro, quando pego ônibus ou quando olho a fachada imunda de um prédio abandonado. Sou jornalista sempre, o tempo todo. E esse é, no fim das contas, o meu destino. Meu negócio não é ganhar dinheiro ou conseguir ótimos empregos, já percebi que não sou muito bom nessas coisas – meu negócio é contar histórias. Faço isso o tempo todo, porque simplesmente não posso e nem quero evitar. E vou fazer isso até morrer. Custe o que custar. Ainda bem que entendi isso, profunda e definitivamente – e, acima de tudo, ainda a tempo. Antes tarde do que nunca, diria o clichê.

Dito tudo isso, e embora ainda tivesse toneladas de coisas para dizer, acho que posso passar para a minha pequena lista de resoluções para 2010. Coisas que eu prometo solenemente, diante de vocês, que eu vou tentar fazer. Em 2010 eu quero ficar bem menos tempo no computador e sair bem mais para a rua, onde no fim das contas tudo continua acontecendo. Em 2010 eu vou carregar sempre um livro comigo, para eu ler todos os livros que deixei acumular por pura preguiça nos últimos anos. Em 2010 eu vou reunir os meus contos, participar de alguns concursos literários e bater na porta de algumas editoras. Em 2010 eu vou comprar roupas novas, e aproveitar que estou emagrecendo espontaneamente para fazer alguns exercícios. Em 2010 eu vou tentar achar alguém legal, que valha a pena ter do meu lado, mas sem pressa e sem galinhagem que isso nunca foi meu estilo. Em 2010 eu vou arranjar um lugar novo para morar, ou ao menos um teto novo sob o qual dormir. Em 2010 eu vou voltar para São Paulo e fazer coisas legais por lá, mas isso nem resolução é, trata-se apenas uma reafirmação. Em 2010 eu vou assistir todos os jogos do Grêmio que puder, em qualquer estádio que esteja ao meu alcance. Em 2010 eu não vou reclamar que não tenho dinheiro. Em 2010 eu vou ganhar dinheiro, tanto quanto puder, e espero que não seja pouco. Em 2010 eu vou continuar escrevendo, e vou escrever incansavelmente, tudo o que eu puder e até onde eu aguentar. Em 2010 vou ´publicar mais seguidamente aqui no blog, tentar fazer coisas mais jornalísticas e menos “querido diário”, e textos não tão longos também, se possível. Em 2010 eu vou fazer um monte de coisas legais, e torcer para que algumas delas sejam publicadas ou exibidas por aí. E em 2010 eu vou seguir fazendo a coisa mais certa que eu posso fazer: sendo eu mesmo. Para o bem, e para o bem também, que a gente ser exatamente quem é sem se pautar pelo que os outros querem ou pensam nunca vai ser algo ruim.

Por fim, terminado esse rascunho de Bíblia, alguns agradecimentos. A minha família, que me apoia mesmo quando não me entende e na qual eu sempre encontro carinho e abrigo. Ao Seu Luiz, Dona Agnes e Luciano, a família extraordinária que permitiu que eu me enfiasse na sua casa, me acolheu e me tratou de um modo que eu jamais serei capaz de agradecer tanto quando gostaria. A pessoas como o Renan, Ungaretti, Marques, Denise, Jorge, Sindia e vários outros, que me deram conselhos e oportunidades, mesmo às vezes sem saber direito quem eu era, apostando nesse desconhecido de barba ruiva e sem muita noção na cabeça. Aos meus amigos, os de POA, de SP e de outros lugares do Brasil e do mundo, que me ofereceram as verdadeiras lições, o sentimento mais bonito e o apoio mais importante, no momento que mais precisei. A todos, muitos até desconhecidos, que me ajudaram pagando comida ou cerveja, emprestando livros ou filmes, comentando alguma coisa que escrevi, puxando conversa no ônibus ou no metrô, dando uma informação, me presentando com um sorriso inesperado no meio da multidão indiferente. A São Paulo, por me receber tão bem, a Porto Alegre, por sempre me aceitar de volta, e ao mundo, por deixar claro que posso ir até ele a hora que eu quiser. Muito obrigado a todos, do fundo do meu coração. Graças a vocês, 2009 foi um ano inesquecível – e, talvez, o melhor de toda a minha vida.

E que venha 2010. Depois de 2009, acho que estou pronto.

O ano da graça de 2009, que você pode ver aí da sua janela dando os últimos estertores de vida, foi um ano dos mais musicais para esse que ora vos digita. Quer dizer, minha vida e minha visão de mundo sempre foram altamente musicais, e isso quem me conhece sabe muito bem – mas como esse ano foi bastante incomum para mim, em todos os sentidos, naturalmente eu precisei muito mais de boas trilhas sonoras, se é que me faço entender. Ano de contrastes, com certeza – por ex, a distância geográfica dificultou muito as atividades da minha banda de Heavy Metal, mas mesmo assim lançamos nossa segunda demo, depois de muito drama, como os mais curiosos podem conferir aqui. Por outro lado, toquei baixo muito pouco esse ano, especialmente pela trabalheira que é levá-lo nas viagens SP-POA que faço periodicamente; por outro, me tornei mais íntimo do meu violãozinho, e graças a ele compus uma série de canções, que estou cogitando para algum tipo de projeto e talvez vocês ainda tenham o azar de ouvir algum dia. Mas enfim, o fato é que minha relação com a música em 2009 foi diferente do que tinha sido em outros tempos – tanto que acho que revisar o que eu mais ouvi no ano que quase já passou ajuda muito a entender, de certo modo, o que se deu comigo durante esse ano intenso e maluco que vivi.

Essa não é, de modo algum, a lista dos melhores discos de 2009 para Igor Natusch – se é isso que o leitor/a busca, lamento, mas ao menos aqui não vai achar. Nem chega a ser exatamente a lista das melhores coisas que descobri em 2009, embora boa parte delas eu não conhecesse até ao menos o início desse ano. Trata-se, simplesmente, de uma lista das coisas que mais ouvi durante o ano, as que ficaram mais tempo no meu mp3 player e nas listas de reprodução do meu Winamp e do meu Songbird. Vou falar bem rapidinho de cada uma delas, nada muito extenso – mas eu me conheço e sei que vai sair um post enorme para caramba, então estejam avisados das minhas boas intenções, pelo menos. Ficam como dicas para os mais curiosos, ou como pequeno recorte de um período da minha vida. Será divertido se eu puder voltar aqui, no final de 2010, e comparar essa lista com o que porventura eu esteja ouvindo na época… Enfim, sem mais embromação, lá vai:

BOB DYLAN – a grande redescoberta do meu 2009. Quer dizer, eu sempre escutei Bob Dylan, durante variados momentos da minha vida – mas acho, sinceramente, que é a primeira vez que eu realmente ouço as músicas dele… No fundo, faz todo sentido: ano de descobertas e redescobertas, revisando praticamente todos os pontos da minha vida, natural que eu precisasse de algum tipo de guia durante essa caminhada. E é incrível como Dylan não só entende o mundo como te ajuda a contemplá-lo e a formar, pelos próprios meios, um entendimento particular a respeito dele. Quantas vezes estava eu tomado por dúvidas ou sentimentos sombrios, e vinha o shuffle do mp3 player com uma música do homem, trazendo uma resposta ou consolo… Ele foi, com certeza, a grande trilha sonora do ano Natuschense, e deve me seguir por um bom tempo, ainda. Thanks, Bob.

NOTHINGTON – essa foi uma das bandas apresentadas a mim pelo Kenny, o carioca que eu conheci em São Paulo e que agora está morando no Sul. Ouvi o segundo disco deles, chamado “Roads, Bridges & Ruins” e lançado esse ano, e achei bacana – mas é inegável que foi o primeiro disco, “All In” (2007), que realmente me fisgou. Punk Rock cheio de energia, com várias influências folk e country – não só em sonoridade, mas também na mentalidade e nas letras, simples e cheias de empatia. Já me peguei cantando “Something New” ou “Sell Out” no meio da rua, sem nem estar ouvindo as músicas em questão – sinal de que grudaram legal no meu cérebro…

THE BATTERING RAM – de maneira bem casual, me apareceu pela frente o link para um disco chamado “Irish Rebel Songs” (1998), gravado por um tal The Battering Ram. Baixei de curioso que sou, e não me arrependi nem um pouquinho. Música típica irlandesa, com montanhas de músicas sobre o IRA e a luta contra os ingleses, tudo muito contagiante e sumamente divertido. Sei que tem gente que pode torcer o nariz para o tipo de temática – mas eu só lamento por vocês, porque deixam de ouvir algumas canções simplesmente maravilhosas. E graças ao som dos caras fui atrás de mais músicas do tipo, que a essa altura já devem estar ocupando uns 5 Gb do meu notebook… Ponto para eles.

MACACO BONG – para nao reclamarem que só incluí estrangeiros na lista, aí está. Vi o show deles na Virada Cultural em SP, e foi do caralho – o que, obviamente, me levou a ir atrás do até agora único CD deles, “Artista Igual Pedreiro” (2009). Embora eu com certeza esteja perdendo alguma coisa na hora de entender o nome das músicas – batizar temas instrumentais com títulos tipo “Vamos Dar Mais Uma”, “Fuck You Lady” e “Black’s Fuck” está aparentemente além da minha capacidade de compreensão – o som é de primeira. Power trio de rock instrumental muito criativo, capaz de fazer músicas longas e envolventes com o mínimo de recursos. Bem legal mesmo, recomendo.

MEIC STEVENS – o cara é lenda no País de Gales, sendo conhecido como o Bob Dylan local. E o negócio é realmente muito legal – folk music bem típica da região, com melodias bem tranquilas e marcantes, um som simples e bem legal de ouvir numa noite chuvosa ou algo assim. E é quase tudo cantado em galês, o que causa um estranhamento inicial mas depois só ajuda mais na atmosfera das canções. E pelo que deu para sacar com a ajuda do Google Translate, as letras são bem bacanas… Grande figura, um dia talvez eu conte a história dele por aqui.

THE LAWRENCE ARMS – outro da série “a culpa disso é do Kenny”. Excelente banda punk de Chicago, que se destacou para mim por ter uma criatividade muito grande e ótimas partes de guitarra e baixo, muito além da simplicidade quase tosca que geralmente se aplica ao estilo. Os vocais revezados entre Chris McCaughan e Brendan Kerry também ajudam muito a criar um clima muito agradável e cheio de energia. Os cinco discos deles são ótimos, mas o melhor para mim é o último, “Oh! Calcutta!” (2007) – um disco que até vale a pena começar a ouvir pelo final, já que as duas últimas músicas (“Key To the City” e “Old Dogs Never Die”) são pura genialidade em três ou quatro acordes. Muitissimo legal, outra banda que pretendo ouvir 2010 adentro.

WARLORD / LORDIAN GUARD – para não dizerem que não falei de Heavy Metal, aí está. O Warlord deve ter sido uma das melhores bandas de HM da história – pena que só lançou um mini-lp, um ao vivo meio “fake” e um single antes de desaparecer na eternidade. Som épico, sofisticado e ainda assim simples, um deleite para meus ouvidos sedentos de música pesada. Já os conheço há mais de década, mas em 2009 eles foram quase dominantes no meu Winamp, de modo que merecem a citação. E o Lordian Guard é o projeto do guitarrista e líder William Tsamis, formado com sua esposa depois do fim do grupo original. Ainda mais épico e sofisticado, além de ter uma temática épico-cristã-medieval que eu acho sensacional – deve ter sido a melhor banda White Metal do universo, bem provavelmente. E a gravação tosca só deixa a atmosfera mais legal, se é que isso faz sentido…

THE BYRDS – Ando falando bastante de Dylan por aqui, né? Pois esses caras ficaram famosos pelas versões fantásticas que faziam de músicas do cara, muitas vezes as reinventando quase que completamente. Mas a contribuição desses sessentistas americanos vai muito além disso: os caras foram dominantes no nascente cenário rock americano, pioneiros no rock psicodélico (“Eight Miles High” é hino eterno) e também no folk rock (com o na época execrado e hoje clássico “Sweetheart of the Rodeo”), além de muitos outros méritos que estou com preguiça de ir listando por aqui. De qualquer modo, “underrated” é pouco para os Byrds – eles eram geniais! Façam um favor a si mesmos e, se não conhecem, baixem pelo menos uma boa coletânea dos caras. Recomendo “There Is A Season” (2006), em quatro volumes e um grande resumo da obra deles. Seus ouvidos com certeza agradecerão muito.

THE ZOMBIES – a maioria das pessoas conhece eles porque “Time of the Season” entrou na trilha do Austin Powers… Uma pena, porque a banda era sensacional e “Odessey and Oracle” (1968) é um dos melhores discos dos anos 60, o que é grande coisa com certeza. Tem gente que diz que ele está pau a pau com o Beatles do “Sgt. Peppers” ou o “Magica Mystery Tour”, e olha que não é tanto exagero assim… Melodioso, cativante, com ótimas linhas vocais, bonitos arranjos e músicas maravilhosas como “This Will Be Our Year”, “A Rose for Emily” (de chorar), “Beechwood Park” (idem) e a poderosa “Hung Upon A Dream”, talvez a melhor música de um álbum cheio de cancões inesquecíveis. Tenho vergonha de ter levado quase 29 anos para ouvir esse disco…

A WILHELM SCREAM – fechando a lista, um colosso que eu já tinha ouvido antes, mas que só dei o devido valor agora nesse 2009 que tá ali, dobrando a esquina. Hardcore cheio de melodia, muito técnico, com trabalho insano de guitarras e que agora tem o melhor baixista que o punk rock e congêneres já viu – e se você duvida, só prova que nunca ouviu Brian J. Robinson tocando… Me sinto muito humilhado cada vez que ouço o cara, sério mesmo. “Career Suicide” (2007) é O DISCO deles: músicas, letras, arranjos, energia, tudo é incrível e do mais alto nível. Quer dizer, ao menos é o melhor disco deles até agora, porque o EP que eles lançaram esse ano como aperitivo do próximo CD é de um brilhantismo que chega a dar medo. Bom saber que ainda se faz ótima música por aí – e com atitude, aquilo que muito se ouve falar mas tão pouco se escuta hoje em dia…

Bom, era isso. Acho que oferece um recorte bacana das coisas que eu andei escutando. Não cita gente importante tipo Heaven and Hell (cujo “The Devil You Know” foi a coisa mais legal lançada em 2009 na minha opinião), ou muitos outros artistas e bandas que eu ouvi bastante durante o ano, mas enfim, não tenho mesmo pretensão de abraçar o mundo. Fica aqui como um exercício retórico, além de um jeito de matar tempo e manter o blog ativo. Aos que leram, meu agradecimento – se quiserem comentar algo, fiquem à vontade. Saudações, e até loguinho.