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Archive for the ‘Jornalísticas’ Category

Como alguns de vocês já devem saber, sou um recém-chegado no Twitter. Depois de muita hesitação (causada, basicamente, pelo temor de ter mais uma armadilha virtual sugando a minha vida), decidi que seria útil para passar adiante as coisas que faço em sites e blogs por aí, além de me dar a chance de seguir pessoas bacanas e ter contato com coisas legais que talvez não descobrisse sozinho. Ainda estou pegando o jeito, mas espero que seja algo interessante e produtivo – mais do que outras ferramentas, tipo Orkut e Facebook, que tenho usado cada vez menos e não duvido que sumam da minha vida de vez. Enfim, se alguém tiver algum interesse no que eu tenho a dizer por lá, tem um link ali do lado para quem quiser se arriscar a me seguir.

De qualquer modo, claro que se tem a chance de ler coisas excelentes por meio do Twitter, do mesmo modo que se tem contato com muita porcaria – não é assim, no final das contas, com tudo que existe na Internet? E no segundo quesito, li uma hoje que me deu vontade de comentar. Eu não sigo o Pedro Bial, mas soube via Folha que o jornalista soltou esses dias, via Twitter, a seguinte pérola de sabedoria:

“quando cansa-se de espiar, cansa-se da vida”.

Fico imaginando que diabos o atual apresentador do Big Brother tinha em mente quando cometeu essa singela frase. Deduzo eu que a ideia era defender a relevância do programa que apresenta, fazendo uma analogia com a curiosidade inerente ao ser humano, ou qualquer coisa assim. Quem se diz cansado de espiar (ou seja, abre mão da curiosidade intrínseca ao gênero humano representada no programa) está cansado da vida – ou, dizendo de um modo mais claro e menos filosófico, quem critica e/ou abre mão de assistir o Big Brother está, na verdade, distanciando-se de algo que não é apenas entretenimento, mas fundamental para a própria humanidade. Coisa, aliás, que Bial já defendeu, com outras palavras, em várias entrevistas que podem ser localizadas com certa facilidade via Google.

Na minha opinião, uma gigantesca bobagem. O Big Brother trouxe para a TV duas das coisas mais deploráveis do nosso atual estágio de civilização: a curiosidade não-produtiva e o culto à personalidade, quanto mais vazia melhor. Graças a esse programa, tivemos uma longa década de figuras sem nenhum talento especial virando celebridades instantâneas, a maioria consumidas rapidamente pela mídia e sumindo sem deixar vestígios – diz aí, fora a Grazi e a Sabrina Sato, lembra de mais alguma? Toneladas de papel e terabytes de dados são desperdiçados com pessoas cujo único mérito é exporem a si mesmas em um programa de televisão. E pelo quê? Para estimular uma curiosidade meio patética, travestida de representação da realidade. Certamente que todos nós temos um pouco de vizinha fofoqueira, de investigadores inoportunos da vida alheia, e isso se manifesta em inúmeros aspectos do nosso dia a dia. Mas qual o mérito possível em um programa que ganha audiência e preenche espaços publicitários explorando esse tipo de coisa? Entretenimento não precisa ser necessariamente construtivo, mas eu nunca vi o Faustão ou o Sílvio Santos tentando convencer alguém que seus programas eram mais profundos do que pareciam…

A curiosidade que de fato leva a gente para algum lugar não é a mesma que move quem assiste o Big Brother – ou pelo menos não é da mesma natureza. Curiosos todos somos, mas dá para ser curioso de maneira produtiva, tentando entender as coisas, aprender algo novo, criar novas alternativas e soluções. Vários bons programas de TV, a maioria deles em emissoras públicas, fazem exatamente isso. Essa é a curiosidade do Twitter, aliás – a de querer saber algo da vida dos outros, dividir algo com essas pessoas, mas sempre com a possibilidade de apontar para algo além, algum tipo de troca positiva e produtiva. Um programa do tipo “reality show” não faz análise alguma da realidade, não apresenta nenhuma observação crítica, não importa o quanto o Bial tente nos convencer do contrário.

A espiadinha do Big Brother encerra-se em si mesma – é uma curiosidade que anula, não traz entendimento, não aponta caminhos nem apresenta novidade alguma. É o mesmo sentimento que move alguém que assiste uma novela ou um seriado – a curiosidade de quem quer um pouco da vida dos outros para tentar esquecer da própria. E sem o potencial de crítica ou questionamento que uma novela ou seriado pode assumir, diga-se. Não é vida – é um anestésico. E nem um pouco construtivo. Pode até ser legítimo como distração, claro que pode – não gosto do programa, mas acho muito justo que alguém queira apenas uma distração rápida e rasteira no final do dia, por que não? Mas não venham querer me convencer que o Big Brother é algum tipo de análise social ou libelo a favor do espírito humano – porque, simplesmente, não é.

Em suma, e para combater uma frase de efeito com outra: se esse tipo de espiadinha é vida, então acho que a morte não deve ser tão ruim assim…

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Voltei ontem de uma breve viagem ao Rio de Janeiro. Imagino que os meus poucos e gentis leitores tenham o primeiro impulso de pensar: “nossa, que legal! Visitou o Redentor? Farreou na Lapa? E as fotos?” Mas não, amigos/as, eu não fui no Rio de Janeiro dos turistas, aquele onde as praias são belas, as noites cheias de alegria e do qual as pessoas vão embora pensando em quando vão poder voltar. Eu fui até o Rio de verdade, o Rio da pobreza e da vida difícil, onde as pessoas exercitam a arte de viver da fé e as paisagens não rendem um cartão postal. Na minha primeira visita ao Estado do Rio de Janeiro, fui a trabalho para Nova Iguaçu e Belford Roxo, o que faz de mim um dos “turistas” menos comuns de se encontrar por aí. E, vocês já podiam imaginar, me traz algumas reflexões que preciso despejar em algum lugar.

Na verdade, o objetivo mesmo era em Belford Roxo – mas, como simplesmente não existe onde se hospedar na cidade, eu e a equipe com a qual estou envolvido ficamos no Mont Blanc Hotel, que imagino eu ser o melhor – se não o único – de Nova Iguaçu. Um bom hotel, sem a menor dúvida – do tipo que deixa o ar condicionado do quarto ficar ligado o dia todo, sabendo que tu vai chegar todo suado e desesperado por um ambiente fresco para descansar. Deu para dar uma pequena explorada na cidade, o que inclui conhecer o shopping próximo do hotel, a área dos barzinhos (que imagino ser umas três quadras, se isso), o terminal rodoviário da cidade (que fica de frente para o hotel e, me perdoem os nativos, é feio que dói) e algumas coisas nas redondezas, tipo a Praça do Skate, um pracinha que me pareceu bem pequena mas que por lá serve de ponto de referência. Nos falaram de duas baladas fortes na área, a do Exclusiv e do Gregos e Troianos – se as grafias estão erradas, me perdoem, eu só ouvi falar e não li os nomes em lugar algum. Mas como fomos embora na sexta mesmo, nem se eu quisesse poderia ter me aventurado na night de Nova Iguaçu – onde, nos disseram, faríamos “sucesso” já que éramos “gente de fora”… Enfim, ao menos engraçado teria sido. De qualquer modo, ficou a impressão de uma cidade simples, bem subúrbio mesmo, cheia de gente humilde e trabalhadora. Um lugar que eu gostaria de explorar um pouco mais, tivesse tido mais tempo…

Belford Roxo sim, é o lado mais sujo e violento do RJ exposto abertamente para quem quiser ver. O parque industrial da Bayer, que é por assim dizer o coração econômico da região, está tristemente cercado de pobreza por todos os lados. Meio por acaso, acabamos conhecendo o Gogó da Ema, supostamente a parte mais perigosa da cidade, e rapaz… O negócio é de cortar o coração, ao mesmo tempo que dá um medo considerável. É difícil descrever, mas fiquei com a nítida sensação de que aquele era um lugar hostil a mim – afinal, eu era um cara de classe média e pele branca no meio de casas precárias e pessoas miseráveis, e o Corsa que nos levou até lá era uma Ferrari naquele ambiente, como bem descreveu o Heitor, um dos meus colegas de empreitada. No mais, muita pobreza, muita sujeira, muito descaso e muito abandono por todos os lados. Aparentemente, o poder público não funciona muito bem por lá – e o resultado, obviamente, é o crescimento dos poderes paralelos, se é que me faço entender. Não é o que parece ser na capital do Estado, um contraste entre luxuosos condomínios e favelas paupérrimas – em Belford Roxo o negócio é pobre mesmo, e a escala vai dos humildes até os desgraçados, não vi gente rica em lugar algum. E em termos de segurança, bem, basta eu citar que vi um mero guarda de trânsito com um tremendo revólver na cintura para perceber que o negócio é um tanto tenso por lá…

De qualquer maneira, pude notar algo em comum nas pessoas que lá vi e conheci, uma espécie de sentimento comum que as unia: uma filosofia de vida, digamos assim. Tanto em Belford Roxo quanto em Nova Iguaçu, as pessoas parecem apreciar a vida de um jeito um pouco diferente – não sei se me faço entender, mas é como se elas esperassem menos da vida do que eu ou as pessoas com as quais eu geralmente convivo. E isso não num sentido necessariamente ruim: elas simplesmente conseguem se sentir felizes com o que possuem ou com o pouco que conseguem, ao invés de sofrerem aquela coisa de sempre querer mais e nunca estarem satisfeitas. Isso pode ser negativo por um lado, já que leva muitas aquelas pessoas a aceitarem coisas as quais ninguém deveria ser submetido. Mas por outro lado, de uma maneira talvez esquisita, elas estão quase bem, elas se viram, elas são em sua maioria pessoas boas que sorriem com pureza e do fundo do coração. E todos nós, os que reclamamos de barriga cheia, os que ficamos de braços cruzados e permitimos que elas sejam forçadas a viver certas privações, temos MUITO o que aprender com elas. E, em comparação, algumas coisas das quais nos envergonharmos, inclusive. Se o espírito carioca é, como dizem, um sentimento descontraído diante da vida, o pessoal da Baixada Fluminense certamente o carrega dentro de si – e de uma forma, suspeito eu, muito mais verdadeira do que a que se percebe nas ruas e atrações do Rio de Janeiro moldado para agradar turistas. Tenho certeza que foi ótimo começar a conhecer o RJ por aí, sem viciar meu olhar com praias bonitas, moças de biquíni e farras na Lapa ou Botafogo. Cada estado é o povo que nele habita, e a realidade pode não ser mais bela que a ficção turística, mas certamente vale mais a pena. Pelo menos para mim. E não, não bati fotos do Rio – fica para a próxima…

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Ultimamente, tenho aproveitado minhas visitas a Porto Alegre não só para rever família, amigos, lugares e memórias afetivas, mas também para tirar uma folga da internet. O fato é que, como ando bastante sozinho em Sampacity, acabo também ficando muito tempo imerso no mundo virtual – parte para matar o tempo antes que ele me mate, parte para manter um contato mais constante com as pessoas que vivem no meu coração, mesmo que estejam fisicamente distantes de mim. Por isso, mesmo que o PC da minha família fique ocioso boa parte do dia, opto por manter-me meio à distância, sem conectar no MSN, sem acessar YouTube e conectando no Orkut e na caixa de e-mail o mínimo possível. É um ritual de higiene mental, que eu julgo necessário e que sinceramente me faz bastante bem. 20070809200140mm07080917h00_48at1

No entanto, dois assuntos me fazem abdicar brevemente dessa privação voluntária, e me levam a digitar rapidinho algumas linhas por aqui. O primeiro, obviamente, é repercutir um pouco a coletiva do Ministério Público que, basicamente, encerrou hoje mesmo o mandato de Yeda Crusius como governadora do Estado do Rio Grande do Sul. Sinceramente, me senti muito sortudo de estar aqui em Porto Alegre quando do acontecido, e poder saborear um pouco a sensação de forçada perplexidade que toma conta dos meios de comunicação por aqui, como se ninguém soubesse que nossa governadora era alvo de pesadas acusações e que mais cedo ou mais tarde a coisa fatalmente ia feder. Ver, por exemplo, a Rosane de Oliveira dizer que “a situação do governo é muito grave” – sendo ela a mesma que até anteontem fazia coro com a versão “não há fato novo” do governo Yeda – é algo que não tem preço. Encaro o mar de lama no qual o Estado está mergulhado com um misto de desconsolo e humor tragicômico, e confesso que é bom, muito bom ver esse império construído em arrogância, desonestidade, despreparo e incompetência desabar sob o peso de suas próprias atitudes, ser engolfado pelo barro fedorento que ele mesmo gerou dia a dia desde antes da posse dessa cidadã como mandatária do RS. Tudo que vier, daqui para a frente, será um bônus, um extra, algo que apenas encaminha a seu final uma história que, em termos práticos, já está encerrada. Pois o governo Yeda foi sepultado hoje, trancado em uma urna que mesmo lacrada exalava os odores da matéria putrefata que continha. E nossa governadora, ciente do ocaso de algo que não foi capaz sequer de começar decentemente, assumiu a postura dos covardes: refugiou-se em Canela, fugindo de seus compromissos, preferindo adiar por algumas horas a justa humilhação de quem é desmascarado além de qualquer esperança. Claro que um réu não é considerado culpado antes de um julgamento, e há que se dar protocolarmente o benefício da dúvida – mas estamos tratando de um governo que vive às voltas com denúncias vindas de sua própria base aliada, que manda descer o sarrafo em manifestantes, que chama professores de torturadores de crianças, que manda aluno ter aula em conteinêres, que não consegue manter aberta uma Secretaria da Transparência porque os escalados para a pasta abandonam, um por um, alegando que o governo que os coloca lá quer tudo, menos transparência. É uma administração que já nasceu eivada de fracasso, e que recebeu hoje a cereja podre para decorar seu bolo embatumado e apodrecido. E que venha a verdade, seja ela tão fétida e revoltante quanto eventualmente for – porque um Estado entregue a tamanho disparate merece pelo menos isso, convenhamos.

A outra coisa que me motiva a escrever aqui é divulgar entre vocês meu primeiro trabalho jornalístico na cidade de São Paulo. Trata-se de um vídeo produzido pelo Brasil de Fato sobre a atual situação da favela de Paraisópolis – palco de confrontos entre moradores e forças policiais e que ultimamente anda sofrendo a pressão de grupos imobiliários, sedentos por contruir prédios na área valorizada e se livrarem do povão que está atrapalhando tão bela empresa. O link abaixo direciona para o blog publicado pela edição online do Brasil de Fato, no qual o vídeo que editei está incluído:

http://www.wakky.com.br/brasildefato

Pessoalmente, gostei muito do resultado final – simples, sem maiores “enfeites”, uma coisa tão crua quanto a realidade que pretende retratar, mesmo que brevemente. Críticas e comentários serão muito bem vindos.

Então tá. Por enquanto é isso – quando eu voltar para São Paulo, no início da semana que vem, publico mais algumas coisinhas para vocês. Abraços a todos, e até lá.

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gaytalese21) Eu tive a oportunidade única de assistir na semana passada uma palestra com Gay Talese, simplesmente o maior ícone vivo do Jornalismo, com maiúscula. Acompanharam-me na jornada a Pati, que está trabalhando aqui em SP, e a Cláudia, que em breve se muda para cá (um brinde a isso, aliás).  Foi uma noite inspiradora em vários aspectos, e me senti como um guitarrista iniciante que assiste Jimi Hendrix tocar – tive a aterradora consciência de que jamais chegarei aos pés dele, ao mesmo tempo que vivenciei a urgência absoluta de tentar o impossível até o fim dos meus dias, sejam quantos forem. Foi uma injeção de adrenalina jornalística, exatamente o que ando precisando nesse começo penoso e arrastado aqui em SP. E concordo com o que a Pati diz nesse post, sobre os atuais correspondentes de guerra. Creio que, na verdade, eles estão apenas reproduzindo (talvez até de modo insconsciente) a opinião daqueles que promovem sua ida ao front – no caso, o governo americano. O jornalismo, tal como eu o entendo, precisa ser o mais distante possível de qualquer governo, independente de cores, matizes, ideologias e qualquer coisa assim. O fato de pegar carona com as tropas já joga para o espaço muito (se não tudo) de independência que uma cobertura de guerra precisaria ter – cobertura de guerra, aliás, que vai muito além de saber o que os soldados no front comem ou acompanhá-los em operações. E é bom poder dizer essas coisas sabendo que alguém como Gay Talese provavelmente concordaria comigo…

091971922) Tenho acompanhado com especial interesse os últimos desdobramentos do novo jeito de governar, que está levando o RS a um estágio de desenvolvimento inédito e valorizando as instituições democráticas a um ponto jamais visto em nosso Estado. Na verdade, devo confessar que leio as notícias a respeito de nossa grande governadora (e mãe de todos nós, claro) com um misto de estupor e diversão – afinal, é de fato tragicômico estarmos entregues a tamanho desgoverno e a práticas que beiram o patológico em seu absurdo. É tanta loucura e cara-de-pau junta – de acusar a oposição pela crise (quando as denúncias mais graves estão vindo sempre dos “aliados”) a fazer exercícios físicos na frente da sede do governo para tentar angariar simpatia – que chega a dar um nó na cabeça do vivente, sério mesmo. Mas com os acontecimentos de ontem a coisa parece mesmo estar fora de controle. Noves fora a validade de fazer um protesto na frente da casa da governadora (único ponto discutível da iniciativa, diga-se), prender gente por desacato DEPOIS do fim da manifestação é sinal claro de que no RS estamos mais perto dos regimes de exceção do que gostaríamos. Os disparates vão se empilhando: uma governadora se dar ao requinte de sair de casa para apupar os manifestantes é uma coisa insólita, que os cartazes escritos à mão levam às raias do pastelão. E a secretária de educação ainda inventa de dar entrevista defendendo as escolas em contêineres, com o detalhe de que o “único problema” é que fica “calor no verão”. E eu achando que a Secretaria da Transparência seria o nadir desse governo infame… Falando sério, e sem sacanagem: a governadora Yeda Crusius deveria cogitar seriamente buscar ajuda psicológica. Os atos dela, praticamente todos, denotam uma pessoa desequilibrada, que está sentindo a pressão do momento e precisa sinceramente de algo que a faça recuperar a serenidade necessária para um administrador público. E convenhamos, quando até veículos da RBS (que, bem ou mal, estavam até aqui “fechados” com Yeda) partem para a condenação dos atos promovidos por ela, é porque o bicho é feio mesmo…

3) Meu gremismo anda cada vez mais exacerbado aqui em SP, de uma maneira tal que às vezes até eu me surpreendo. Estou inclusive saindo para a rua vestindo o manto tricolor, coisa que em Porto Alegre eu praticamente só fazia em dias de jogos – não por timidez ou algum tipo de resguardo, simplesmente por não sentir uma necessidade real de fazê-lo fora das circunstâncias de uma ida ao Olímpico. Pois aqui a necessidade de reafirmação como gremista (e, em última análise, como gaúcho) tem me sido constante, o que me leva a desfilar abertamente com as cores da minha paixão clubística, além de encarar qualquer partida do Imortal como um compromisso imperdível, nem que seja apenas por uma rádio online. Até agora, fora a cara feia de alguns corintianos irritados com a derrota do domingo passado, não sofri nenhum tipo de hostilidade – pelo contrário, graças a ela recebi alguns comentários bastante acolhedores, inclusive encontrando pelo caminho um ou dois gaúchos identificados com as cores do Grêmio. O futebol, portanto, anda me ajudando muito por aqui, e dele não abrirei mão. Domingo que vem, inclusive, vou ao Botequim da Vila, lugar onde gremistas andam se reunindo para assistir jogos da equipe, e me divertirei vendo o Grêmio finalmente ganhar um GRE-nal, depois de um considerável período. Ou assim espero…

4) No mais, uma singela frase dita pelo meu primo Daniel em uma conversa de MSN foi o suficiente para me animar bastante. Ele mora e trabalha aqui, mas como é uma pessoa muito ocupada é bem difícil de encontrá-lo, e acabamos conversando mais por meios internéticos mesmo. Falava com ele das dificuldades do momento, e ele me solta um “fica tranquilo, os primeiros anos são assim mesmo”. Confesso que a frase, embora para alguns possa soar quase desanimadora, me deu uma energizada bastante grande, e me deixou muito mais animado e disposto a não desistir. Afinal, eu andava acostumado a ter emprego, e ficar esse tempo sem trabalhar às vezes dá um nó na cabeça da gente – e faz a gente pensar que estar alguns meses sem emprego é uma tragédia, que não somos bons o suficiente, que nunca vão nos chamar para nada além de frilas eventuais e bem, enfim. Uma frase como essa nos devolve à realidade, deixa claro que tem muita gente no mesmo barco e que é difícil para todo mundo – e, especialmente, que demorar é normal, e não tem nada a ver com incompetência ou nada disso. É, simplesmente, parte das circunstâncias de estar na megalópole. A luta continua, meus amigos – e eu vou vencer, esperem e verão.

Abraços a todos, e até breve.

EM TEMPO: Quando estava indo embora do Masp, após sua palestra, Gay Talese passou ao lado das pessoas que iam devolver os aparelhos de tradução que haviam retirado para a palestra. Eu tinha pego um deles, embora quase não o tenha usado, e estava tentando devolver – e Gay Talese passou tão próximo que não resisti e soltei um “thank you, Mr. Talese” para ele. Em resposta, e dotado de uma elegância ímpar, o homem sorriu e retirou seu chapéu em um cumprimento cheio de cortesia. Bonito e emocionante, mas injusto. Eu é que tinha que tirar o chapéu para Gay Talese, caso estivesse usando um…

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Chegou o momento que, no fundo, ninguém mais estava esperando, mas enfim. Tentando fechar um pouco o buraco gerado pela falta de posts no blog – não que me falte assunto, o problema tem sido ânimo para escrever mesmo – resolvi dar uma revirada nos meus arquivos pessoais e catar algumas coisinhas dignas de serem pseudo-eternizadas nesse humilde espaço. Talvez fosse melhor gerar um espaço mais específico para isso, mas sinceramente me deu preguiça, então vamos colocar por aqui mesmo, não é? Bueno, para o momento acho que está de bom tamanho publicar a minha matéria para a Sextante, revista semestral produzida pelos alunos de Jornalismo da UFRGS. Participei da edição de 2006/2 da revista, cuja temática no semestre em questão era “caos”, não só redigindo a matéria abaixo, mas também participando da comissão editorial da mesma. Foi um trabalho ao mesmo tempo estressante e gratificante – muita coisa deu errado, algumas matérias ficaram muito aquém do que eu imaginava ser o ideal, mas conseguimos produzir uma revista impactante, que foi muito comentada e fugiu da mesmice comportada das edições imediatamente anteriores à nossa. Produzi, entre outras pequenas colaborações escritas, esse artigo sobre GG Allin, músico punk que deve ter sido uma das pessoas mais doentias que já pisou nesse planeta. Gosto da matéria ainda hoje: simples, direto ao ponto e com alguns jogos de linguagem e narração dos quais me orgulho bastante. Abaixo, vai o texto na íntegra, com algumas das fotos utilizadas na matéria. Leiam, se tiverem coragem:

“BITE IT, YOU SCUM!”
O mundo paralelo de GG Allin segue assombrando o Rock N Roll

Por Igor Natusch

gg21Já antes dos primeiros acordes da música de abertura, percebe-se que o público presente ao clube Space and Chase de Nova York não assistirá um show comum. A banda entra silenciosa no palco, e o vocalista usa uma indumentária de palco pouco usual: botas de vaqueiro, mais nada. Sem avisos, sem preâmbulos, começa a primeira canção. O show fica não mais do que alguns segundos em cima do palco: antes mesmo de terminar de cantar a primeira estrofe, o vocalista salta em direção à platéia e, ato contínuo, soca o rosto de um dos membros da audiência. O som seco do microfone contra o rosto desprotegido encaixa macabramente com o tempo da canção. Momentos depois, alguém é arrastado pelos cabelos, e o cantor começa a esfregar o pênis no rosto de sua vítima antes que alguém a arraste para longe dali. Em segundos, um enorme espaço se abre na primeira fila, com a platéia procurando ficar o mais longe possível do homem que dança insanamente na frente do palco. Antes do fim do segundo refrão, esse homem terá defecado no chão, ingerido parte das fezes e esfregado o resto no próprio rosto e coxas. Quase ao final da canção, ele avança sobre o espaço reservado ao público – e as pessoas que normalmente se espremem na frente do palco agora se aglomeram no fundo do recinto, fugindo como podem de um personagem que está completamente fora de controle. Antes do final da terceira música, os donos da casa encerram abruptamente o show, com policiais surgindo para prender o vocalista e colocarem alguma ordem na enorme confusão que se instalou.

Muitas pessoas gostariam de poder acreditar que histórias como essa são obras do exagero, lendas urbanas que se espalham no boca a boca, e até mesmo que o personagem dessas fábulas do grotesco nunca teria existido. Talvez a negação até funcionasse, não tivessem esses eventos sido registrados em vídeo, provando acima de dúvidas que GG Allin existiu e que seu legado repugnante não é fruto de relatos distorcidos e imaginações doentias.

gg6Nascido na pequena cidade norte-americana de Lancaster, recebeu o nome Jesus Christ Allin de seu pai, que alegou ter sido visitado por um anjo que apontou o jovem como um novo Messias. Seu irmão mais velho Merle (companheiro de banda de Allin por muitos anos) não conseguia pronunciar direito “Jesus” e acabava chamando-o de “jeje”, surgindo aí o apelido que o músico levaria por toda a vida. A família Allin morava num furgão sem água e luz, e seu pai proibia qualquer conversação após o escurecer, além de ameaçar matar toda a família várias vezes.

Desde cedo um desajustado que praticava todo tipo de arruaça e ia para a escola usando roupas de mulher, GG Allin encontrou na música punk um caminho natural a seguir. Começou como baterista, e sua primeira banda foi o Malpractice em 1977. Pouco depois, uniu-se ao The Jabbers, primeiro como baterista e depois como vocalista, e com eles fez suas primeiras gravações. Nessa época, GG era uma figura relativamente normal, e chegou até a se casar com uma namorada dos tempos de escola. Mas as coisas foram fugindo ao controle: Allin foi mergulhando nas drogas, seu casamento fracassou e o The Jabbers não resistiu à excentricidade crescente de seu vocalista, encerrando atividades em 1984.

A partir daí, a trajetória de GG Allin se torna uma das mais doentias de que se tem notícia. Tocou com várias bandas e escreveu um sem-número de canções, registradas em incontáveis lançamentos – mesmo os mais devotados fãs ignoram o número exato de itens existentes entre vinis, CDs, fitas cassete e vídeos. Suas letras, quase invariavelmente, falavam de assuntos repugnantes para a maioria, e seus shows eram bizarros, para dizer o mínimo. Sempre drogado, Allin agredia o público, atacava mulheres que estivessem na platéia, evacuava no palco, destruía o que encontrasse na frente e não raro causava sérios danos a si mesmo. Em mais de uma oportunidade, o vocalista saía do palco direto para o hospital – em um evento que se tornou célebre, quebrou parte dos próprios dentes a golpes de microfone.

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Os shows quase sempre eram encerrados prematuramente, ou pelos donos do lugar ou pela polícia. Allin foi preso inúmeras vezes – na mais grave delas, ficou dois anos detido por ter submetido uma mulher a tortura sexual, acusação que sempre negou alegando ter agido com o consentimento da vítima. A vida de Allin rendeu inclusive um documentário, “Hated”, dirigido por Todd Philips e que acabou sendo uma espécie de canto de cisne de GG Allin, que morreu de overdose em junho de 1993, antes da conclusão do filme. Seu enterro foi um evento digno da vida que GG levou: vestindo um tapa-sexo e jaquetas de couro, o cadáver tinha seus genitais apalpados e bebidas eram derramadas na sua boca pelos amigos que foram prestar sua última homenagem.

300px-GG_ALLIN_DEADO fim de GG Allin não será surpresa para qualquer um que conheça seus hábitos ultrajantes, mas muitos hão de se admirar com o ‘status’ de lenda que o músico atingiu em vida e que talvez até tenha se fortalecido depois de sua morte. Aos poucos, foi crescendo um verdadeiro culto ‘underground’ a GG, com várias bandas fazendo releituras de suas músicas e um comércio frenético de antigos materiais do músico, que chegam a ser vendidos por centenas de dólares em sites como o eBay. A banda Murder Junkies, última a acompanhar GG e liderada por seu irmão Merle, segue fazendo shows, e eventos são organizados no mundo inteiro em homenagem a essa verdadeira lenda do submundo.

Em 2003, Florianópolis foi palco de um desses eventos. Organizado por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), “Dez anos sem GG Allin” foi uma semana multimídia que envolveu exibição de filmes (“Hated” entre eles), palestras de figuras do submundo como o cineasta ‘trash’ Peter Baierstoff, peças teatrais e um show de encerramento, em que cinco bandas fizeram o seu melhor (ou pior) para homenagear no palco alguém que fez dele um veículo para a infâmia. Como nota cômica, a estratégia de divulgação: membros da organização foram até o programa televisivo do deputado estadual Cesar Souza e passaram alguns minutos contando no ar a história de GG Allin, enfatizando o posicionamento “contra as drogas” do músico, que inclusive teria uma ONG para apoiar músicos afundados no vício, e sua postura “pacifista” diante do rock e da vida. Coerente com a trajetória de GG Allin, de certo modo.

É isso, amigos(as). Em breve, voltamos à nossa programação normal – eu espero. Abraços, e até breve.

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Quem vive mais ou menos de perto o jornalismo universitário fabicano já deve ter tido algum tipo de contato com o Diarinho. Trata-se de um jornal diário, que há 29 anos se anuncia como o Diário do Litoral catarinense, e que tem algumas das manchetes mais maravilhosamente cômicas que eu já vi na vida. Para mim já é quase uma profissão de fé: todo dia dou uma acessada no link acima e dou boas risadas com as manchetes engraçadíssimas do jornal. É sensacionalismo, claro, quase sempre focando no “mundo cão”, mas com uma carga espirituosa muito grande e até uma considerável dose de ironia – sem contar a linguagem toda própria do jornal, onde os puliça pegam os desgranido e os levam para a depê ou para o xilindró. Supostamente existe uma versão impressa do jornal, mas eu infelizmente nunca tive uma em mãos, e também nunca me animei a pagar alguns trocados e assinar a versão online do jornal – coisa que eu talvez faça um dia mas, por contenção de despesas, não vai rolar em um futuro próximo. Então me contento com as manchetes, e me divirto deveras pensando em quão divertido deve ser poder ler a versão completa do Diarinho.

Mas enfim, esse breve post não foi para fazer propaganda do Diarinho em si, mas sim do sensacional blog Diarinho na Chuva. Trata-se de um blog temporário, no qual a redação do Diarinho faz uma cobertura da calamidade que tomou conta de Santa Catarina com os alagamentos e inundações dos últimos dias. A explicação para o nascimento do blog é fornecida pela própria equipe do jornal: o prédio em Itajaí-SC onde está a sede ficou ilhado, a redação não tinha como entrar no edifício, o Diarinho corria sério risco de não circular e, por fim, uma das moças ligadas à redação teve a idéia de abrir uma conta no blogspot para manter a redação ativa nesse momento de emergência. Ou seja, a vontade de informar foi mais forte que a chuvarada, o que convenhamos que é até poético em certo sentido. A partir do primeiro post, datado da última segunda-feira, dá para ir montando um interessantíssimo panorama de toda a situação, pontuada pelo relato leve, despojado e (mesmo nas atuais circunstâncias) bastante divertido do Diário do Litoral. A espirituosidade está presente, claro – como se pode ver aqui, por exemplo – mas também se fala a sério, como se pode ver nesse e nesse post, para citar só dois exemplos. Os links do blog também são ótimos, permitindo uma visão ainda mais abrangente da tragédia toda – e bastante particular, feita por quem está ali do lado, vivendo a situação bem de perto.

De qualquer modo, o mais curioso é ver um jornal de interior, com sua linguagem cômica e seus arroubos sensacionalistas, fazendo uma das coberturas mais completas e interessantes do que está acontecendo em Santa Catarina – e fazendo isso com uma estética que geralmente associamos com jornalismo de baixíssimo nível, totalmente diferente da visão distanciada e distante que vemos nos Jornais Nacionais e Zero Horas da vida. Além de ser divertido (e, em alguns momentos, chega a ser hilário), é muito interessante e informativo – se duvidam, leiam o blog e vejam por si mesmos. Entrei nele pela primeira vez de manhã, agora estou conectado nele há quase duas horas e ainda tem muita coisa para ler. A redação do Diarinho já voltou a suas instalações normais, mas mantém o blog ativo, atualizando praticamente de hora em hora, de modo que realmente vale a pena dar uma lida e fugir um pouquinho do jornalismo canônico, tanto em termos de veículos quanto de abordagem. Fica aí a minha recomendação da vez.

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Antes de mais nada, minhas escusas aos leitores/as que não gostam de futebol e, portanto, estão pouco se lixando para o que aconteceu ontem no final da tarde, em mais uma rodada no mínimo emocionante do SCHMITTÃO 2008. Aos que não se interessam pelo assunto, podem pular o post sem medo, e nos vemos de novo em outra ocasião, sem ressentimentos. Do mesmo modo, evitei escrever qualquer coisa aqui ontem, porque quem me viu sabe que eu estava muito irritado com a coisa toda e a chance de dizer alguma bobagem era grande. Talvez eu mudasse de opinião, talvez eu conseguisse enxergar melhor e pensar em algum tipo de atenuante para essa palhaçada que ousa chamar a si mesma de “julgamento”. Mas não dá para ser mais racional que a razão – e quanto mais eu penso nisso, mais eu concluo que a última jogada de ataque do STJD, aplicando punições absurdas sobre três dos principais jogadores gremistas do momento, foi, senão uma roubalheira descarada, uma demonstração de prepotência, uma demarcação de território e um recado direto e nada sutil ao Grêmio. Além de, é claro, escancarar de vez que estamos em pleno SCHMITTÃO 2008, o campeonato mais emocionante do futebol brasileiro no momento.

Por que digo isso? Simplesmente porque o Campeonato Brasileiro de Futebol, que eu e vocês tolamente achávamos que estava sendo disputado no campo, entre treinadores e jogadores de futebol, é só uma cortina de fumaça. Os jogos de verdade, as disputas mais renhidas, os verdadeiros craques estão no Rio de Janeiro, em emocionantes sessões ordinárias do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. É lá que se decidem as escalações dos times, que se define as mudanças de esquema tático, que se desenham os times rebaixáveis e os postulantes a título. Os lances mais importantes não são os gols ou as falhas de jogadores defensivos: são as infrações que ninguém viu, os vídeos que revelam até as mais obscuras intenções escondidas no fundo da alma dos atletas. E os jogadores não usam calção, meias ou chuteiras: usam toga, terno e gravata, pavoneiam-se como juízes e justiceiros, e jogam com desenvoltura, tomando a frente em ações que influenciam (estragam?) todo o campeonato brasileiro. A camiseta dos clubes que defendem talvez até usem; mas ficam disfarçadas, embaixo das vestes de supostos paladinos da justiça.

Você é daqueles que vai no estádio, paga mensalidade, compra uniforme e merchandising do seu clube? NENHUM SENTIDO. Desista, rapaz: fique ligado no Minuto a Minuto do site da Justiça Desportiva, porque é lá que os jogos acontecem de verdade. Fica ouvindo o rádio ou assiste programas de TV para ver o que diz o treinador, o meio-campista, o dirigente? Deixe de ser abobado, cidadão: se ligue nas palavras de Paulo Schmitt (foto), que é de fato quem decide alguma coisa nesse emocionante certame – um jogador que não tem medo da dividida, que conclama os insatisfeitos a recorrerem se tiverem coragem e comete pérolas do tipo “se o Inter foi prejudicado em 2005, foi até bom para ele, pois se recuperou e ganhou grandes títulos no ano seguinte”. Tá feliz porque o teu time tá na ponta da tabela e está ganhando pontos dentro do campo? Oh, ingênua criança, acorde para a vida: jogar futebol dentro de campo é totalmente “last week”, está ultrapassado, caducou. O negócio agora é nas arenas do STJD – é lá que se disputam jogos que mobilizam milhões e que se forjam os grandes campeões do tão incensado “melhor futebol do mundo”.

O Grêmio, simploriamente, achou que podia se levantar contra isso, que poderia protestar contra as sacrossantas decisões do mais combativo tribunal do planeta. Não sabem, os parvos, que o SCHMITTÃO 2008 é, como foi em 2005, um campeonato que não se presta aos descontentes. E receberam, ontem à tardinha, um aviso retumbante – sim, porque no fim das contas é como um aviso que as estapafúrdias punições de Léo, Réver e Morales funcionam. O recado é claro: “VOCÊS GREMISTAS ACHAVAM QUE PODIA SER UMA PARANÓIA, MAS SAIBAM QUE NÃO É: NÓS ESTAMOS MESMO CONTRA VOCÊS!” O Botafogo, igualmente mutilado na sanha de “justiça”, ensaiou alguns protestos quanto aos resultados de rodadas anteriores do SCHMITTÃO, e igualmente levou o bilhetinho para casa, sem piedade e sem pudores. Ou seja, o STJD é um time ofensivo, que joga para a frente, que ataca sem medo da represália dos adversários. Tudo sob o comando de Paulo Schmitt, o artilheiro, o homem-gol que, munido de DVDs e formulários de denúncia, não deixa pedra sobre pedra no sistema defensivo dos adversários. Mas quando o Superior Tibunal assume a defesa, como no caso de clubes bem-quistos pelo braço forte da Lei Desportiva, a retranca é inviolável: não cai ninguém, ninguém leva punição, todos podem ter certeza que o jogo acabará no zero a zero. Sem dúvida, o STJD tem a defesa menos vazada de todo o SCHMITTÃO 2008 – um campeonato que, embora muito emocionante, tem só um defeito: todo mundo já sabe, mesmo antes de começar a partida, quem vai ganhar.

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