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Archive for the ‘Estudantis’ Category

Uma elegia fabicana

Acabo de descobrir que pintaram de branco as paredes do Dacom.

Para quem não sabe, o Dacom é o Diretório Acadêmico da Comunicação da Fabico (UFRGS), faculdade que cursei e graças a qual tenho hoje um diploma de jornalista. Costumava ser um lugar como todos os DAs que vocês possam imaginar: poltronas detonadas na laterais, um mesa de sinuca semidestruída no centro, um manequim coberto de tinta ao lado da porta, uma geladeira vermelha (e desligada) no canto e, ao fundo, a porta da salinha onde a gente entraria para fazer as carteirinhas de ônibus, isso se ela estivesse por milagre aberta naquele dia. Nas paredes, todo o tipo de desenhos, rabiscos, gravuras e frases de ordem, distribuídas sem nenhuma lógica ou padrão pelas outrora imaculadas paredes da sala. Um elogio ao anárquico, ao desleixado e ao sem sentido – exatamente o que um bando de alunos de comunicação precisa no intervalo (ou na fuga) das aulas.

Era um lugar muito agradável, o Dacom. Aquela sala era, de certo modo, o centro pulsante daquela faculdade – o lugar onde as pessoas dos mais variados semestres conviviam e, muitas vezes, compensavam a cretinice de certas cadeiras com trocas muito mais enriquecedoras. No Dacom vivi muitos dos momentos mais marcantes da minha vida universitária e, por que não dizer, da minha vida em geral. Naquele local me iniciei no truco gaudério, e foi naquela salinha adjacente quase sempre trancada que nasceu a Cofatruco, fundação de inegável sucesso e que até hoje une muitas das pessoas mais brilhantes que conheci naquele centro de ensino. Por lá conheci amigos e amigas de grande valor, gente que carregarei comigo vida adentro, se não na convivência ao menos no coração. Naquele local tiveram início ou desenvolvimento algumas das (não muitas) histórias amorosas da minha vida (não muito) adulta. Naquela sala comemorei o quarto gol do Grêmio contra o Caxias em 2007, um dos jogos mais emocionantes da minha vida e que eu sequer pude assistir. Naquele ambiente comi Bocconitos, naquele lugar tomei doses clandestinas de uísque, e uma vez esqueci uma barra de chocolate em cima da geladeira vermelha desativada – barra que consegui, milagrosamente, resgatar intacta no dia seguinte. Em uma noite antológica, passei pela portaria do prédio e entrei no Dacom, sem medo – e esse gesto me garantiu citação em um processo disciplinar do qual, confesso, muito me orgulho. Muitas partidas de sinuca lá disputei, muitas discussões acaloradas lá presenciei, e muitas vezes fiquei lá sozinho, em horários de pouco movimento, lendo algum polígrafo ou tirando notas pouco afinadas do violão quase sem cordas que rodava por ali. Aproveitei bastante aquele lugar, podem ter certeza – e devo a ele muito do que fez a minha vida universitária ser enriquecedora e inesquecível.

Na verdade, há tempos tentava-se liquidar com a vida no Dacom, em nome de interesses que eu prefiro nem saber direito quais sejam. As chinelagens, festas dentro do prédio que eram fundamentais na integração entre fabicanos, foram proibidas e, apesar dos protestos, nunca plenamente retomadas. O sucateamento dos móveis e a falta de limpeza espantavam muitos alunos, especialmente os mais impressionáveis. Mas a grande medida de esvaziamento, o símbolo máximo da incompreensão e da falta de diálogo entre administradores e alunos, era a insistência da direção em pintar as paredes desenhadas e rabiscadas do Dacom, em nome de uma suposta revitalização do local. Em pelo menos uma oportunidade, isso quase ocorreu – por sorte, a então administração do DA entrou em acordo com a direção e conseguiu salvar parte do maravilhoso acervo registrado naquelas paredes.

Pois sim, tratava-se de um verdadeiro acervo. Acho difícil explicar para quem nunca esteve lá a quantidade de coisas incríveis escritas naquelas paredes – tudo que se possa imaginar, desde poesias e frases de efeito a registros históricos e absurdos de aulas e partidas de sinuca e truco. Desenhos, alguns sublimes e outros terríveis, juntavam-se aos textos bem ou mal escritos em uma multitude de cores, traços e caligrafias. Eu mesmo deixei pelo menos um registro lá, assinalando a data da minha última aula com a legenda “fui, agora se virem”. Vendo aquelas paredes, a gente se sentia parte de algo maior – era como um registro coletivo de nossas impressões, um maravilhoso elogio à juventude e criatividade de quem ainda carregava sonhos no coração. Era meio feio, mas era lindíssimo ao mesmo tempo. E era muito, muito bom entrar no Dacom e ter contato com aquele espírito vibrante, registrado da maneira mais anárquica e mais bela possível.

Pois, amigos e amigas, pintaram de branco as paredes do Dacom. Apagaram tudo – todos os desenhos, todas as frases, todas as poesias e brincadeiras e recortes e citações. Passaram tinta por cima do que talvez fosse nosso mais valioso registro histórico. E fico feliz de estar em São Paulo nesse momento – e portanto incapaz de testemunhar o golpe final no espírito fabicano que conheci e que agora está condenado a ser apenas um traço de memória individual.

Imagino que as pessoas que autorizaram essa medida já tenham sido universitárias, em algum momento de suas vidas. Pena que, lamentavelmente, alguma coisa deve ter se perdido no meio do caminho. Em suas mentes, julgaram fazer o melhor para a Fabico, dentro da lógica administrativa que para elas é, compreensivelmente até, a mais importante. Com a reforma do térreo, aquela sala ficaria ainda mais realçada em sua feiura desarmônica. Urgia uma padronização, um embelezamento, algo que fizesse daquele andar algo mais respeitável e funcional. Uma faculdade renovada, com novos equipamentos e laboratórios e com um currículo novo em folha, não podia conviver com aquele atentado estético. Talvez fosse inevitável mesmo, vai saber? Afinal de contas, era só uma sala, nada mais que isso. Apenas uma sala. E uma nova sala virá no lugar dela – talvez ampliada, talvez com móveis recém-adquiridos, quem sabe até com uma nova mesa de sinuca. Uma sala de paredes brancas e limpas. Renovada. Antisséptica. Morta.

Resta-nos confiar na força maior que move a juventude, a energia avessa à limpeza e contrária a todo padrão que faz do mundo um lugar que ainda vale a pena. Haverá uma mão, entre as muitas que talvez circulem pelo renovado Dacom, que puxará uma esferográfica, um lápis ou um pincel atômico, e deixará nas paredes límpidas um primeiro e maravilhoso traço de artística sujeira. Outras mãos, incentivadas pelo rabisco primordial, por lá deixarão também suas impressões. Alguém mais talentoso fará o primeiro desenho, usando grafite ou uma esferográfica – e logo o caos voltará, bonito e renovado, para encher de vida o espaço que nenhuma demão de tinta poderá destruir. Não sei, sinceramente, se isso vai mesmo acontecer – mas gosto de pensar que será assim, e que nenhum progresso estéril poderá jamais deter a poesia, desordenada e cheia de força e de vida.

A foto que ilustra o post foi tirada durante uma Hora do Jazz de Natal, evento promovido por mim e pelo meu querido amigo Fred Posselt. O desenho do Syd Barrett, à esq, já era; as frases da Rosa Nívea, à dir, foram pro beleléu; até o manequim, tantas vezes espancado e naquela tarde transformado por nós em uma vistosa árvore de natal, deve ter ido parar em alguma caçamba de entulho por aí. Mas algo permaneceu, tenho certeza – e que Deus permita que nunca vá embora. Obrigado a todos que leram esse longo desabafo até o fim, sejam felizes e até a próxima.

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A Hora do Jazz, tal qual os estudantes da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS a conhecem, é um empreendimento criado por mim e pelo meu bom amigo Marcelo Allgayer lá pelos idos de 2004 – embora, às vezes, pareça ter sido há bem mais tempo atrás. Além de meu colega em muitas aulas cretinas (e, vá lá, algumas bem legais também), nosso chapa Allgayer e eu temos uma tendência a criar projetos meio disparatos – entre outros, a Seleção Nacional de Truco Gaudério de Sealand (imbatível nos amistosos, mas com uma má sorte desgraçada na hora dos jogos oficiais da Cofatruco) e o Bola Romena, orgulhosamente o único portal brasileiro dedicado ao fotbal da Romênia e que pode ser acesso pelo link ali do lado, caso você não acredite que isso existe mesmo. Entre essas idéias meio malucas, estava a Hora do Jazz no Dacom – um momento onde se poderia jogar sinuca, beber um vinho e ouvir boa música a meia luz, sem maiores compromissos e pouco se lixando se ia ter público ou não. Como tanto eu quanto ele gostamos de jazz, e ambos estávamos livres no horário em questão, resolvemos fazer o esquema – e, durante cerca de dois semestres, foi uma das coisas mais legais que a faculdade me proporcionou.

Desligávamos as luzes, deixávamos um ou dois abajures acesos para dar o clima, botávamos um Dave Brubeck ou um John Coltrane no som e, basicamente, ficávamos uma hora inteira nos divertindo – e conhecendo as pessoas que, incautas ou curiosas, apareciam para ver que diabos era aquilo. Graças à Hora do Jazz, conheci pessoas que se tornaram grandes amizades, e tive vários crepúsculos da mais pura diversão. Alguns momentos foram antológicos – bons entusiastas do jazz que somos, sabíamos que um bom quebra-quebra é sempre bem vindo, e em nome do que chamávamos de “catarse” arrebentamos o que era mais conveniente no momento. Nesse ritmo, ‘homenageamos’ algumas instalações “artísticas” de péssimo gosto e, em um momento inesquecível, um cavalete de campanha à prefeitura do Fogaça que fomos catar no meio da rua, arrastando para dentro da faculdade em nome de uma boa destruição. No Natal, fizemos um belo pinheirinho usando apenas o lixo que achamos no chão do diretório – e uma vassoura sustentou os restos de papel, copos plásticos e outras porcarias que usamos para enfeitar o símbolo de nosso espírito natalino. Sem contar as emoções de contrabandear bebida para dentro do Dacom – idas e vindas com garrafas de cerveja dentro das mochilas e, em um outro momento único, até mesmo um bom whiskey, com gelo e copos especiais. Em uma dessas edições, que precedia uma prova meio ridícula de Fundamentos de Rádio, eu e o Allgayer tomamos um verdadeiro pileque – e devo dizer que responder as questões absurdas daquela prova em total estado alterado de consciência foi uma das medidas mais sábias que tomei em toda a minha vida acadêmica. Em suma, foi um período já divertido por si só, que ficou ainda mais legal com esse evento clandestino e jamais oficializado.

A Hora do Jazz original meio que acabou naturalmente – os horários meus e do Allgayer não mais coincidiam, ficou cada vez mais difícil realizar o evento e optamos por deixá-lo desaparecer no auge, para entrar com dignidade no panteão imorredouro das lendas fabicanas. Em cerca de três anos, apenas um ou dois breves ‘revivals’ devem ter ocorrido, mais como saudosismo aos velhos tempos do que qualquer coisa mais séria. Ocupamo-nos todos com outras coisas, e a Hora do Jazz foi meio que caindo no esquecimento – até que nosso camarada Fred, um dos que foi tocado no passado pelo evento original, resolveu que iria ressucitá-lo a qualquer custo. Como eu e ele somos bons amigos, e eu ainda transito no ambiente universitário graças a meu trabalho como técnico do NEPTV, foi natural que eu prestasse assistência a ele no que me fosse possível – e eis que, depois de uma ou duas tentativas frustradas, a Hora do Jazz se reergueu das cinzas, para uma vez mais fazer história por linhas tortas no ambiente da Fabico.

Os tempos, hoje, são outros. Uma série de tensões se ergueu entre a direção da faculdade e os alunos que ela freqüentam – o que, entre outras coisas, tornou proibida qualquer tipo de festa dentro do ambiente acadêmico. As Chinelagens, eventos que eram a maior fonte de integração entre os semestres, seguem proibidos – e, nesse panorama, a rediviva Hora do Jazz bem ou mal se torna um móvel de resistência, mais ou menos pacífica mas sem dúvida decidida, contra o imobilismo e o distanciamento que vai tomando conta de nossos colegas. Não que isso seja muito raciocinado, na verdade – ela continua, no fundo, tão despretensiosa e mambembe quanto antes, se não ainda mais. Mas o choque com as autoridades, antes virtualmente inexistente devido ao desinteresse administrativo por nossas atividades, anda se manifestando – geralmente com algumas espiadas dos seguranças e uma que outra tentativa de manter as luzes acesas em nome da “segurança” de todos. Hoje, no entanto, tivemos uma Hora do Jazz meio tensa, digamos assim – com direito a discussão com a portaria, brincadeiras de acende-ou-não-acende-a-luz, diálogos acalorados com o pessoal da secretaria e muitas outras coisas do tipo. Em compensação, foi a primeira vez desde a retomada em que nosso co-criador Allgayer pôde comparecer, o que deu ao evento um ar ainda mais saudosista e festivo. Não chegamos a quebrar nada, como seria de praxe, e vamos ter que cortar a zero o consumo de álcool por um tempo, até conseguirmos entabular algum tipo de acordo com a direção – mas foi mesmo assim um fim de tarde glorioso, repleto de emoções, que devolveu a alma a nossa querida Hora do Jazz e garantiu sua entrada na consciência coletiva de toda uma nova leva de fabicanos.

Como coloquei no título do post, a nossa inconseqüente e clandestina Hora do Jazz é, a seu modo, uma alegoria da vida universitária, e talvez mesmo da vida de um modo geral. As pessoas se unem, muitas vezes ao acaso, em busca de algo que as ajude a preencher melhor o tempo em suas vidas – e nisso acabam se divertindo muitas vezes, se decepcionando em algumas outras, fazendo várias bobagens e coisas sem sentido e, no meio do caminho, encontrando mais malucos com os quais dividir sua trajetória. Podemos deixar o que interessa para trás por um tempo, até quase esquecermos de como funciona, mas com sorte vamos ter a chance de recuperar as boas sensações antes que elas estejam perdidas para sempre. As coisas-do-mundo-que-são-assim-mesmo sempre aparecem, dispostas a acabar com a festa – mas com um pouco de jogo de cintura e uma boa dose de cabeça-dura nós, pessoas tão especiais no seu nada-ter-de-especial, vamos dando um jeito de driblar tudo e seguir com a brincadeira, sem saber muito bem no que vai dar. E quem sabe bem depois, lá do outro lado, a gente consiga lembrar de toda essa palhaçada e dar umas boas risadas disso tudo.

Hora do Jazz no Dacom. Toda sexta, das 17h30 às 18h30, no Diretório da Comunicação da UFRGS. Se quiserem me encontrar, estarei sempre por lá. Seja bem vindo – mas mantenha as luzes apagadas, para não estragar o clima da coisa.

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Desculpem o sumiço. Não, não sofri nenhum acidente, não tirei férias numa ilha minúscula onde não tinha eletricidade, muito menos desisti do blog: simplesmente, não me ocorreu inspiração alguma para escrever. Continuo “desinspirado”, na verdade, mas ao menos agora achei um motivo para dar as caras por aqui – publiquei minha monografia online, coisa que estava procrastinando há tempos, e como alguns leitores manifestaram interesse em ler, lá vai.

O título do trabalho é “Vídeo na Internet: uma alternativa de distribuição para o cinema brasileiro?”. Basicamente, discuto as possibilidades oferecidas pela tecnologia virtual para disseminação de produções de caráter cinematográfico, usando como amostragem três sites que exibem curta-metragens brasileiros – Porta Curtas, Curta o Curta e YouTube. Descrevi a situação atual desse cenário, comparando depois os conteúdos dos sites para tentar achar tendências e pontos de ligação e/ou diferenciação. Foi trabalhoso, tive que fazer tudo mais rápido do que o previsto, mas acabou sendo divertido, e sinceramente acho que ficou legal. Quem quiser conferir, pode clicar aqui e boa sorte…

Agradeço a Elis por ter me dado a dica do Scribd, um serviço bem interessante de postagem de documentos online. Recomendo o uso, é gratuito, muito fácil de usar e funciona muito bem.

E nada menos que 23 pessoas já chegaram no meu trabalho, mesmo sem eu ter divulgado o link para ninguém até postar isso aqui. Ô interatividade…

Mais notícias em brevíssimo. Eu prometo. Não desistam de mim =P

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…Agora sou definitivamente bacharel em jornalismo. Mais de uma semana se passou desde o evento fatídico, período que para mim foi necessário no sentido de digerir tudo o que aconteceu e tentar achar o significado da coisa na minha vida presente e futura. Nem tinha certeza se eu ia de fato escrever algo a respeito do acontecido por aqui, mas algumas pessoas me cobraram, então vou deixar alguma satisfação para vocês a esse respeito.

A cerimônia em si deu muito certo. Conseguimos manter o protocolo, a maioria dos agradecimentos foi dentro da idéia de tempo e não tivemos maiores presepadas desta vez. Eu até que estava bem tranqüilo; cheguei na hora do agradecimento sem um texto pronto, e apesar de um certo excesso nos elementos viciosos de linguagem (minha mãe disse que falei “né” umas quinze vezes) acho que deu tudo certo. A hora do discurso de orador foi mais complicada – quando comecei a falar, senti o peso da responsabilidade, e tive uma recaída no meu péssimo hábito de falar rápido quando estou nervoso e com pressa de me livrar de uma situação. Fiquei o tempo todo me segurando, tentando diminuir o ritmo – não sei se deu muito certo, mas juro que me esforcei. No fim, as pessoas gostaram do meu discurso, elogiaram e tal, então acho que foi tudo bem. No mais foi ver os amigos/as agradecendo e os discursos dos demais oradores, da paraninfo e do diretor – realmente não tem nada de muito complicado, então não sintam medo se isso ainda está para acontecer com vocês. A decoração estava bem legal, o vídeo de homenagem aos pais estava muito bonito e mais uma vez devo agradecer de público a nossa dupla dinâmica da formatura (Marcela e Luciana) pelo excelente trabalho que fizeram. A recepção foi bem divertida, ganhei presentes legais e enchi o bucho com renovada satisfação – e o baile começou meio fraco, mas depois melhorou imensamente, graças a uma boa banda, um bom repertório de clássicos dos anos 50 e 60 e, evidentemente, à ótima companhia generalizada. Saí de casa às 15h30 e voltei às 4h30, feliz da vida e muito mais aliviado.

E essa, devo admitir, é a palavra de ordem nesse momento: alívio. Não que a faculdade de Jornalismo tivesse se tornado um tormento, ou que eu não estivesse aguentando mais a rotina universitária – muito pelo contrário, até porque por enquanto vou continuar como funcionário do estúdio de TV da faculdade e a minha vida seguirá sendo regrada pelo calendário acadêmico da UFRGS. Mas todas as coisas, por melhores que sejam, tem que chegar a um fim – e no caso da graduação, devo dizer que já tinha passado da hora do galo cantar e da moleza acabar. Em mais de um sentido – mas não em todos, claro – a Fabico já tinha dado o que tinha que dar, e estender desnecessariamente essa convivência poderia até estragar as boas memórias dos cinco anos e meio de curso de Jornalismo. Acabou, e embora eu saiba que perco algumas coisas com isso, não tenho dúvida de que as mais importantes se mantêm, e que tenho ainda mais coisas a ganhar.

Na verdade, eu já tinha dado meu adeus simbólico à Fabico quando da entrega definitiva da monografia, e acho que maiores elucubrações filosóficas só repetiriam o que pode ser lido aqui, de modo que não vou ficar me estendendo nisso. O que me resta, agora, é olhar para o futuro – e me alegra dizer que me sinto renovado, leve, pronto para o que está por vir. Estou com uma forte disposição para mudanças, e pretendo ir atrás de algumas delas muito em breve. Seja lá o que tem que ser da minha vida, ainda está em tempo, então vamos lá. Sei que estou soando vago, mas eu mesmo não tenho certeza de nada – talvez, num futuro não muito distante, eu consiga dar concretude a toda essa montanha de idéias na minha cabeça, e vocês poderão provavelmente acompanhar parte disso por aqui. Se possível com uma freqüência maior do que tem ocorrido, mas enfim.

De qualquer modo, vai ser divertido. Disso tenho certeza.

EM TEMPO (1): em breve, colocarei meu trabalho de conclusão de curso online, para quem quiser ler. Aguardem.

EM TEMPO (2): Volto em poucos dias, com minhas impressões do show mais importante da minha vida – isso, claro, se eu sobreviver. Fiquem numa boa, e até lá.

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Depois de quase duas semanas de plantão permanente, enfim uma notícia concreta sobre o único assunto que realmente importa no mundo:

A rádio Ipanema de Porto Alegre anunciou uma futura promoção de sua parte para o show do Iron. Ela adiantou que os ingressos serão vendidos na próxima segunda feira (dia 10) e que os primeiros 2.000 ingressos serão vendidos a 100 reais, mas não especificou o local de venda dos mesmos.
A produção do show em PoA é da Opinião Produtora.
E há possibilidade, segundo a radialista, de mudança do local do show para um estádio, dependendo da demanda de ingressos.

A nota pode ser conferida neste link, só para vocês não acharem que estou inventando tudo. Boatos de Orkut (que são, como o nome mesmo diz, boatos de Orkut e devem ser vistos com tantos pés atrás quanto possível) dizem que a venda começaria nas bilheterias do próprio Opinião, às 13h – o que, se for verdade, significa que a) vai ser um pega-para-capar danado, uma briga de faca mesmo por esses ingressos e b) provavelmente chegarei meio atrasado para trabalhar na segunda-feira… Seja como for, preparem-se para um relato fidedigno das minhas andanças na fila para o ingresso do show do Iron Maiden – ou, se rolar compra por telefone (o que acho bem possível), das minhas agruras com o serviço da Brasil Telecom…

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Fora isso, bem. Terça feira fiz minha defesa de monografia. Eu estava bem tranqüilo, e no fundo tudo foi muito fácil – é um ritual simples e na verdade bem pouco ritualístico: tu fala, depois a banca fala, saem todos da sala e quando tu volta é um “parabéns, você passou”. Ainda tenho que entregar na secretaria o CD com a versão final em pdf (não posso esquecer disso, aliás), mas enfim. Obviamente, estou feliz que deu tudo certo, e aliviado por poder respirar um pouco antes que o ano acabe. Me alegra a perspectiva de que agora todos os discos, filmes e livros que estão há tempos me aguardando terão finalmente um pouco da minha atenção, e que posso me dar ao luxo de sentar na frente do computador sem me preocupar em escrever tantas linhas de texto ou em como é uma perda de tempo ler emails enquanto um trabalho sério e inacabado me aguarda. Em suma, vou poder ser um pouco irresponsável, para variar – e isso me anima.

No mais, preciso de férias. Desesperadamente. Quer dizer, preciso de cerveja, também, mas isso eu acho que as solenidades e não-solenidades de fim de ano me proverão em quantidades apreciáveis. De qualquer modo, fim de ano é tempo de balanço, de reflexão – ainda mais um fim de ano tão sui generis como esse está sendo. Ou seja, aguardem para breve a Retrospectiva Natusch 2007. Post que deve vir logo depois da via-crucis da compra do ingresso para o único evento que realmente importa no mundo. Em breve, por aqui, para todos aqueles que no fundo não se importam mas são legais o suficiente para ler o que aparece por aqui. Saludos, e até lá.

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Pois é. Acabou mesmo. As cópias estão impressas, encadernadas, prontas para serem devidamente lidas e avaliadas. Duas eu deixei na secretaria da Fabico, para serem entregues aos membros da banca que lecionam lá: a terceira vou entregar em mãos para um professor da Puc, possivelmente na quinta feira. Claro que ainda tem a defesa, a cerimônia de colação de grau e tudo o mais. Mas enfim, para tudo tem que existir um final simbólico, e para mim é a impressão das cópias e a entrega de parte delas na secretaria. É o fim do drama da monografia, portanto. Mais: é o fim da graduação, o fim do curso de Jornalismo, e de certo modo também o fim da Fabico. Acabou.

Acabou.

Sensação difícil de descrever, essa. De ficar contemplando mentalmente algo que tomou períodos enormes do teu tempo, que ocupou a tua mente de modo quase ininterrupto por meses a fio, e que de muitos modos simboliza o fim de algo que foi parte da tua vida por cinco anos, talvez um pouco mais. Enfim, a sensação de pensar em tudo isso e ser capaz de dizer: acabou. Não é ruim, acreditem. Não é ruim mesmo. Mas também não é tão gloriosamente radiante e maravilhoso quanto alguns gostariam de acreditar. É, por assim dizer, um sentimento neutro. Reconfortante, mas nada como achar o pote de ouro no fim do arco-íris ou algo assim.

Eu curti fazer a monografia. Sério mesmo. Apesar de ter sido uma agonia em muitos momentos, acabou sendo muito legal – tanto que me vejo com umas idéias na cabeça que eu jamais tinha sequer cogitado antes, tipo fazer mestrado. Eu fazer mestrado é algo que me parecia totalmente absurdo – ainda parece, na moral. Mas estou cogitando – ainda bem de leve, sem profundidade, mas estou.

Seja como for, por enquanto estou apenas na reta final da graduação, e ainda vou precisar refletir muito no assunto para chegar a uma conclusão sobre o que a faculdade de jornalismo fez pela minha vida. Por um lado, digamos, prático, ela pode até ter sido inútil: não fiz um mísero estágio de redação, seja qual for, e estou convicto de que a possibilidade de eu um dia trabalhar em um lugar do tipo aproxima-se do zero absoluto. Mas é engraçado perceber que, quanto mais me vejo longe da ciranda natural ao jornalismo, quanto mais minha vida aponta para outros lados, mais me sinto jornalista. Isso não faz sentido algum em lugar nenhum do mundo, eu sei – só na minha cabeça. Mas é na minha cabeça que precisa fazer sentido, de qualquer maneira – e faz, eu digo para vocês. Se a Fabico queria fazer de mim um bom profissional, acho que falhou – mas mesmo assim, de um jeito meio esquisito, deu certo. Enfim, como eu disse, são idéias soltas, e preciso elaborá-las melhor na medida que os dias forem passando.

Hoje eu estava falando com o Bruno Cassiano sobre os dramas e desventuras da Fabico, e acabei dizendo uma coisa um tanto amarga, mas que resume bem o que eu penso da Fabico. É um ambiente de mediocridade não só declarada, mas consensual. As pessoas querem ser medíocres, simplesmente – é mais fácil, mais simples, e cria bem menos problemas. Pense, fabicano, nas pessoas que você vê reclamando das aulas, dos professores, da falta de ambição – os não-fabicanos podem pensar nas pessoas que conhecem e que dizem, de um modo ou de outro, que as coisas no mundo deveriam mudar. A maioria dessas pessoas está mentindo, simplesmente. Elas não querem mudança nenhuma – estão felizes e satisfeitas com sua mediocridade, e querem que as coisas fiquem exatamente como estão para continuarem seguras e medíocres até o medíocre fim. Nada contra os medíocres, bem entendido – as pessoas têm direito de serem felizes do jeito que acham melhor. O que me contraria, no caso, é a falsidade. Se, por exemplo, reclamam de um professor que não dá aulas minimamente aceitáveis e que faz avaliações acintosas de tão ridículas, estão só fazendo cena – na verdade, adoram a idéia de serem aprovados facilmente, e seguirem sem emoções maiores sua jornada rumo ao diploma. Falta a essas pessoas coragem para admitir o que realmente querem, e o resultado é esse baile de máscaras chamado civilização ocidental. Tende-se a achar que a faculdade (e que o mundo) reflete os professores e administradores, o descaso com o ensino federal e etc., mas isso é falso – a faculdade são seus alunos. Sempre seus alunos. E os alunos da Fabico, via de regra, são pessoas que estão pouco se lixando para o errado do mundo, desde que possam se sentir seguras no seu mundo de certezas ocas. Errado? Não, mas não é honesto nem com elas, nem com ninguém. E eu abomino desonestidade.

Nesse sentido, tchau Fabico. Lembro de como eu costumava dizer que o que salvava a Fabico era as pessoas que nela estudavam, e de como isso fazia muito mais sentido a um ano e meio do que faz agora.  Ainda tem muita gente legal lá, graças a Deus – mas cada vez o número é menor, e cada vez mais eu acho que as pessoas legais estão saindo e não estão sendo substituídas pelas que estão entrando. E isso, definitivamente, não é implicância de gente que está ficando velha.

Toda essa digressão amarga e metida a besta só para poder contradizer a mim mesmo e dizer que foi legal, muito legal ser aluno da Fabico. Dizer que vou lembrar com gosto das partidas de sinuca no Dacom, depois de um almoço no RU ou antes de uma jornada de trabalho no estúdio de TV. Dos jogos clandestinos durante as aulas terríveis, e das discussões surgidas durante as aulas boas. Das amizades que surgiram do nada e que, espero eu, durarão para sempre – e, por que não dizer, das que eu achei que eram valiosas e que, no fundo, não valiam um tostão furado. Enfim, de milhares de coisas que fizeram a diferença, e que não teriam acontecido não fosse por eu ter, depois de quatro cabeçadas na parede, entrado nesse covil de malucos medíocres metidos a fodões chamado Fabico. E eu acho que aqui, no fim das contas, se resume tudo o que eu ia dizer – que me sinto reconfortado por concluir que, mesmo que a Fabico tenha me mudado um monte, ela não mexeu no essencial, no que eu acredito que seja o meu objetivo, o meu destino ou seja lá qual outro nome pomposo se queira dar a isso. O meu pote de ouro no fim do arco-íris, enfim. Ele pode até ser uma ilusão, mas é uma ilusão minha e eu gosto dela, então não tentem me dizer que não é assim que o mundo funciona porque não vai adiantar: me deixem continuar correndo em direção do pote de ouro e eu serei mais feliz =)

Se vocês chegaram até aqui, é provavelmente por serem pessoas legais, que se importaram de algum modo comigo durante esses cinco anos – algumas desde mais cedo, outras mais recentemente, enfim – e que vivenciaram de um modo ou de outro os dramas da monografia. Deixo aqui, como típico final de um post do tipo, o meu agradecimento sincero e de coração. Nos vemos por aí – fiquem tranqüilos, o mundo não acabou nem nada, eu é que ando sentimental ultimamente…

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Reta final da monografia. Imagino que vocês possam imaginar o que isso significa: stress considerável, humor oscilante, pouco sono e tempo escasso. Como trabalho durante toda a semana em um horário que prejudica deveras a atividade intelectual (das 15h até 22h e alguma coisa), me resta escrever em finais de semana e feriados. Nunca fui tão grato pela quantidade de datas comemorativas do calendário brasileiro, acreditem.

Seja como for, tudo que não é monografia está sofrendo nesse momento, e é claro que o blog entra de gaiato nessa história. Idéias para posts eu até tenho, o que me falta é tempo para redigi-los – uma variação da frase de Julio de Castilhos, às portas da morte, para o médico que o dizia para ter coragem: “coragem eu tenho, o que me falta é ar!”. É exatamente isso: me falta ar, ou melhor dizendo, tempo para respirar. Mas passará: quarta feira que vem entrego a monografia completa para minha orientadora, que fará as últimas observações, e dia 21 as cópias estarão na secretaria. Daí, é segurança na defesa e partir pro abraço – de qualquer modo, com a esperança de ter um pouco mais de tempo para mim e para as coisas que me cercam, blog incluído. Não desanimem: eu voltarei, quer queiram, quer não.

De qualquer modo, e para coroar uma postagem desprovida de maior coerência, gostaria de ressaltar que:

1) “O Último Confronto Final II”, curta dirigido por este vosso humilde servo que vos escreve, foi exibido esses dias lá na Fabico, no que foi sua terceira sessão oficial – a primeira e a segunda foram em Gramado, durante o Gramado Cine Vídeo. Horário desgraçado (17h30, dia de semana) e um público pequeno, mas amigável – foi exibido, as pessoas parecem ter curtido, e isso é o mais importante. Estou negociando uma outra sessão, em um horário mais legal, de preferência fim de semana – e quando isso for acertado eu aviso;

2) Substituir o “SBT Manchetes” por episódios do “Chaves” foi uma das decisões mais acertadas que o quase-senil Senor Abravanel tomou nos últimos tempos. O jornal tinha a Cynthia Benini apresentando, então não deveria exatamente ser bom jornalismo – e palhaçada por palhaçada, coloque-se logo quem entende do riscado. Mesmo porque “Chaves” é o mais bem sucedido tapa-buraco da TV universal, e já duplicou a audiência do horário – 19h, brigando com novela da Globo e tudo. Pena que o Chapolin Colorado continua fora do ar;

3) Faltam 115 dias para O SHOW, e 43 para AS FÉRIAS.

Então tá. Volto um dia desses. Eu prometo =)

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