Pois é. Acabou mesmo. As cópias estão impressas, encadernadas, prontas para serem devidamente lidas e avaliadas. Duas eu deixei na secretaria da Fabico, para serem entregues aos membros da banca que lecionam lá: a terceira vou entregar em mãos para um professor da Puc, possivelmente na quinta feira. Claro que ainda tem a defesa, a cerimônia de colação de grau e tudo o mais. Mas enfim, para tudo tem que existir um final simbólico, e para mim é a impressão das cópias e a entrega de parte delas na secretaria. É o fim do drama da monografia, portanto. Mais: é o fim da graduação, o fim do curso de Jornalismo, e de certo modo também o fim da Fabico. Acabou.
Acabou.
Sensação difícil de descrever, essa. De ficar contemplando mentalmente algo que tomou períodos enormes do teu tempo, que ocupou a tua mente de modo quase ininterrupto por meses a fio, e que de muitos modos simboliza o fim de algo que foi parte da tua vida por cinco anos, talvez um pouco mais. Enfim, a sensação de pensar em tudo isso e ser capaz de dizer: acabou. Não é ruim, acreditem. Não é ruim mesmo. Mas também não é tão gloriosamente radiante e maravilhoso quanto alguns gostariam de acreditar. É, por assim dizer, um sentimento neutro. Reconfortante, mas nada como achar o pote de ouro no fim do arco-íris ou algo assim.
Eu curti fazer a monografia. Sério mesmo. Apesar de ter sido uma agonia em muitos momentos, acabou sendo muito legal – tanto que me vejo com umas idéias na cabeça que eu jamais tinha sequer cogitado antes, tipo fazer mestrado. Eu fazer mestrado é algo que me parecia totalmente absurdo – ainda parece, na moral. Mas estou cogitando – ainda bem de leve, sem profundidade, mas estou.
Seja como for, por enquanto estou apenas na reta final da graduação, e ainda vou precisar refletir muito no assunto para chegar a uma conclusão sobre o que a faculdade de jornalismo fez pela minha vida. Por um lado, digamos, prático, ela pode até ter sido inútil: não fiz um mísero estágio de redação, seja qual for, e estou convicto de que a possibilidade de eu um dia trabalhar em um lugar do tipo aproxima-se do zero absoluto. Mas é engraçado perceber que, quanto mais me vejo longe da ciranda natural ao jornalismo, quanto mais minha vida aponta para outros lados, mais me sinto jornalista. Isso não faz sentido algum em lugar nenhum do mundo, eu sei – só na minha cabeça. Mas é na minha cabeça que precisa fazer sentido, de qualquer maneira – e faz, eu digo para vocês. Se a Fabico queria fazer de mim um bom profissional, acho que falhou – mas mesmo assim, de um jeito meio esquisito, deu certo. Enfim, como eu disse, são idéias soltas, e preciso elaborá-las melhor na medida que os dias forem passando.
Hoje eu estava falando com o Bruno Cassiano sobre os dramas e desventuras da Fabico, e acabei dizendo uma coisa um tanto amarga, mas que resume bem o que eu penso da Fabico. É um ambiente de mediocridade não só declarada, mas consensual. As pessoas querem ser medíocres, simplesmente – é mais fácil, mais simples, e cria bem menos problemas. Pense, fabicano, nas pessoas que você vê reclamando das aulas, dos professores, da falta de ambição – os não-fabicanos podem pensar nas pessoas que conhecem e que dizem, de um modo ou de outro, que as coisas no mundo deveriam mudar. A maioria dessas pessoas está mentindo, simplesmente. Elas não querem mudança nenhuma – estão felizes e satisfeitas com sua mediocridade, e querem que as coisas fiquem exatamente como estão para continuarem seguras e medíocres até o medíocre fim. Nada contra os medíocres, bem entendido – as pessoas têm direito de serem felizes do jeito que acham melhor. O que me contraria, no caso, é a falsidade. Se, por exemplo, reclamam de um professor que não dá aulas minimamente aceitáveis e que faz avaliações acintosas de tão ridículas, estão só fazendo cena – na verdade, adoram a idéia de serem aprovados facilmente, e seguirem sem emoções maiores sua jornada rumo ao diploma. Falta a essas pessoas coragem para admitir o que realmente querem, e o resultado é esse baile de máscaras chamado civilização ocidental. Tende-se a achar que a faculdade (e que o mundo) reflete os professores e administradores, o descaso com o ensino federal e etc., mas isso é falso – a faculdade são seus alunos. Sempre seus alunos. E os alunos da Fabico, via de regra, são pessoas que estão pouco se lixando para o errado do mundo, desde que possam se sentir seguras no seu mundo de certezas ocas. Errado? Não, mas não é honesto nem com elas, nem com ninguém. E eu abomino desonestidade.
Nesse sentido, tchau Fabico. Lembro de como eu costumava dizer que o que salvava a Fabico era as pessoas que nela estudavam, e de como isso fazia muito mais sentido a um ano e meio do que faz agora. Ainda tem muita gente legal lá, graças a Deus – mas cada vez o número é menor, e cada vez mais eu acho que as pessoas legais estão saindo e não estão sendo substituídas pelas que estão entrando. E isso, definitivamente, não é implicância de gente que está ficando velha.
Toda essa digressão amarga e metida a besta só para poder contradizer a mim mesmo e dizer que foi legal, muito legal ser aluno da Fabico. Dizer que vou lembrar com gosto das partidas de sinuca no Dacom, depois de um almoço no RU ou antes de uma jornada de trabalho no estúdio de TV. Dos jogos clandestinos durante as aulas terríveis, e das discussões surgidas durante as aulas boas. Das amizades que surgiram do nada e que, espero eu, durarão para sempre – e, por que não dizer, das que eu achei que eram valiosas e que, no fundo, não valiam um tostão furado. Enfim, de milhares de coisas que fizeram a diferença, e que não teriam acontecido não fosse por eu ter, depois de quatro cabeçadas na parede, entrado nesse covil de malucos medíocres metidos a fodões chamado Fabico. E eu acho que aqui, no fim das contas, se resume tudo o que eu ia dizer – que me sinto reconfortado por concluir que, mesmo que a Fabico tenha me mudado um monte, ela não mexeu no essencial, no que eu acredito que seja o meu objetivo, o meu destino ou seja lá qual outro nome pomposo se queira dar a isso. O meu pote de ouro no fim do arco-íris, enfim. Ele pode até ser uma ilusão, mas é uma ilusão minha e eu gosto dela, então não tentem me dizer que não é assim que o mundo funciona porque não vai adiantar: me deixem continuar correndo em direção do pote de ouro e eu serei mais feliz =)
Se vocês chegaram até aqui, é provavelmente por serem pessoas legais, que se importaram de algum modo comigo durante esses cinco anos – algumas desde mais cedo, outras mais recentemente, enfim – e que vivenciaram de um modo ou de outro os dramas da monografia. Deixo aqui, como típico final de um post do tipo, o meu agradecimento sincero e de coração. Nos vemos por aí – fiquem tranqüilos, o mundo não acabou nem nada, eu é que ando sentimental ultimamente…
Profundo muito profundo. De fato, sabes que concordo com tudo que disseste. Comigo aconteceu mais ou menos a mesma coisa. Os 5 anos de Fabico trouxeram momentos divertidíssimos, tanto dentro quanto fora de aula, momentos de incrível idiotice, idem, e momentos dos quais duas horas depois eu nem mais me lembrava. O que ficou de principal para mim foi ter conhecido figuras que achei que só existiam em filmes de comédia e nos livros do Hunter Thompsom. Do ensino em si, acho que saio um pouco mais preparado do que entrei. Mas não tenho dúvidas de as principais aulas de jornalismo ocorreram nos corredores da Fabico e não em suas salas de aula. Abraços Natusch.
Concordo com tudo também, principalmente com “quem faz uma faculdade são seus alunos”. Cheguei até o final do texto, sinal de que me importo contigo e te estimo, rapaz.
Enquanto a Cofatruco existir, qualquer faculdade fará sentido.
Abraço e parabéns pela conclusão. É uma boa sensação, ainda mais para quem gostou de fazer a monografia, como eu e tu.
Me sinto honrado de poder simplesmente comentar este belo texto ao lado dos amigos que fizeram real diferença nestes anos todos. Percebam como é bacana o caminho que traçamos para dar um pouco mais de sentido ao cotidiano da Fabico. No fim, Amengual, como de costume, matou a cobra: “O que ficou de principal para mim foi ter conhecido figuras que achei que só existiam em filmes de comédia e nos livros do Hunter Thompsom.” Exato. Agradeçamos todos por ter tido a oportunidade de conviver com Amengual, Professor Fonseca, Allgayer, Schröder, também Neni e Xinho. Como esquecer de Muniz, Franke, Pessel? Este exige caixa alta: PHEIFER. E Ponsito também, ora por que não? E pergunto: como esquecer do amigo Russo que esteve sempre por ali com toda sua genialidade, e que nos brindou com o prazer da sua enriquecedora companhia? Amigos, a já eterna frase Cofatruqueña diz muito: JAMAIS NOS MATARÃO. E sim, todos sabem que eu sou exagerado assim mesmo. Azar, é muita PAIXÃO.
HSHSHSDFJKJDFGKJGSHSL
Beijo a todos e bom verão em Londrina!
Essa pag de comentários está com um clima de “abraço coletivo”… Hehehe.
Valeu, gurizada. Beijos estalados para vocês ;D
Vão me fazer chorar…hehhee
Ah, esse covil de malucos medíocres metidos a fodões chamado Fabico sem o cara chamado Natusch… Vá em busca de seu pote de ouro, meu rapaz. Mas sempre pelo caminho de tijolos amarelos.
Hey, eu só cheguei até o final do texto pq tu escreve bem pra cacete, meu amigo… ah, mas principalmente pq tu coloca o link dessa budega (no bom sentido) no MSN e eu fico aqui no serviço, sem te nada pra fazer, procurando algo pra ler etc e tal!
Abração!!
A Fabico para alguns acabou, mas a Cofatruco JAMAIS.
III Cofatrago DJÁ!
Obrigado pelas palavras caro Ponsito. Mas, de fato, é a mais pura verdade. É incrível como figuras como Schröder, Pfeifer, Ponso, Fonseca, Faraon, Natusch, Neni, Posselt, Allgayer, eu, por que não, entre outros, se encontraram em um mesmo local, cursando o mesmo curso em uma mesma época. Somente por isso já devo ser grato à Fabico. Que a Cofatruco mantenha esses laços de amizade forever. Grande e comovido abraço a todos.
Lá pelos idos de 2005, vi o Cardoso sendo entrevistado pelo Tatata Pimentel na TVCOM (estavam no lançamento de um livro, acho que era do Daniel Galera). Daí, sem motivo aparente, eles começaram a falar da Fabico. E eu, no início do curso, achei muito engraçado o fato de estar zapeando e de repente parar num canal em que estavam falando sobre a minha faculdade. Mas enfim, o Cardoso falava que a Fabico, para ele, havia sido um desencaminhamento. Mas um “desencaminhamento excelente”, nas palavras dele.
Lembrei disso ao ler o teu texto.
hehe Tô na correria agora, mas passando o olho pelo texto, só tenho a dizer: Parabéns!! Tu tá com um pé fora da Fabico! Iupi!
Quanto ao meu texto, denso e mal escrito. Mas é bom sair escrevendo sem se preocupar muito com o resultado de vez em quando. É uma terapia das boas.. =P
Desculpe por te fazer pensar em uma segunda-feira de tarde heheheh
Ah, sim! Volto pra ler com calma depois =P
tche, quando eu entrei na fabico, lembro que olhava pra aquele monte de fabicanos velhos, de final de curso, e pensava “que gente insuportavel, reclama de tudo, acha que nada ta bom. se reclamam tanto da fabico porque que tao aqui?” bem, os bons tempos de bixo passaram e me percebo uma tipica fabicana velha e de fim de curso. e eh essa mediocridade o que mais incomoda. mais ainda, a sensacao de tornar-me tao mediocre quanto, somada a consciencia de que, se isso acontecer nao sera por culpa da fabico ou dos fabicanos mas de minha propria covardia. porque, como tu dissestes muito bem, pensar o contrario seria desonesto ao extremo.
mas concordo tambem com o que tu dissestes sobre o balanco final. por mais que hoje eu me veja como qualquer coisa menos publicitaria, o que conta e o que certamente valeu a pena foram as coisas que eu aprendi sobre mim e sobre as pessoas.
enfim, chegastes la, meu bem! e esse nao sera, definitivamente, um final de ano qualquer. entao aproveita um monte essa sensacao, porque tu merece a fu!
e sim, as pessoas andam muito filosoficas ultimamente.
bejo!
texto e comentários que chegaram a me deixar arrepiado. só me resta enfatizar os dizeres de Ponso e Amengual. obrigado amigos.
O SENHOR É UM FANFARÃO, XERIFE!
sem querer quebrar o amigavel ambiente, devo discordar, natusch. ok, quem faz a graduacao, ou seja, quem DECIDE APRENDER, e o aluno. mas quem faz a FACULDADE sao alunos E professores.
parabens pela formatura. e sucesso a altura da tua nobreza.
eu sou uma pessoa legal \o/
mas mais q isso, eu realmente me importo contigo. quero q tu seja feliz, sempre. e, no meu desejo egoísta, q tu seja feliz por perto, pra gente poder continuar convivendo com esse cara q, olha, difícil achar quem não diga q não gosta. ninguém duvida de q tu é quase parte da fabico, mas nãp só pq tu tá sempre lá, mas pq tu te dá bem com todo mundo, pq tu trata bem as pessoas, pq todo mundo gosta de ti.
no último semestre já te vi pouco, e a tendência é q seja ainda menos agora, até pq um dia eu tb me formo, talvez. mas igor, tu faz uma falta danada, viu. difícil imaginar a fabico sem ti.
então… parabéns! e bom pote de ouro pra ti =D
ah, e era eu, viu ;)
Puxa, assim eu fico comovido, hehehe…
Obrigado, Cris. Tu é um amor de pessoa, não é à toa que eu vou com a tua cara =D
Aliás, vocês todos são pessoas bacanas – tenho tido sorte com meus amigos, hehehe. Gracias, gracias, saludos!
“covil de malucos medíocres metidos a fodões chamado Fabico”, belíssima definição. Grande Igor. Seguido penso no que teria acontecido acontecido se eu não tivesse entrado na FBC e na maior parte das vezes me parece que teria sido melhor. Nas outras penso justo isso, que se ela não me acrescentou quase nada me trouxe quase tudo ao ter a oportunidade de conhecer esse bando de loucos, apesar dos pesares e das mediocridades acumuladas – como a Ju, tb assumo que grande parte é minha culpa, só minha.
Toda sorte do mundo pra ti, guri de barba ruiva, foi um imenso prazer ter te conhecido.
“o que a faculdade de jornalismo fez pela minha vida”. Sabe que diversas vezes pensei em como a faculdade de jornalismo (e não a Fabico) abriu a minha cabeça. Claro, tudo ficou difuso. Coincidiu com uma fase de maturação minha. Mas acho que nunca consegui resumir, ou quem sabe, explicar tão bem o que sinto, e o que devo me perguntar daqui pra frente. Tu conseguiu.
“e cada vez mais eu acho que as pessoas legais estão saindo e não estão sendo substituídas pelas que estão entrando”
Também tenho essa impressão. Não sei se é porque já estamos a ponto de sair da Fabico (tu, pelo menos. Mas me considero mais perto do fim do túnel também) e temos mais conhecimento acumulado das aulas que, bem ou mal, tivemos, ou se talvez não esteja realmente acontecendo uma substituição. Será que não seria prepotência nossa pensar assim? Digo não no sentido cru da palavra, sem ofensas, tu sabe. Me pergunto se os nossos veteranos também não pensavam isso da gente… Temos que concordar que todos entraram muito novos na faculdade. A maioria, pelo menos. Como diria o Rüdiger, “sem massa crítica”. Espero que seja um processo de amadurecimento o que acontece lá dentro, assim como também espero que quem está “tomando nosso lugar” naquele prédio de 8 (???) andares nos surpreenda.
Ótimo ter te conhecido lá, Igor!
Parabéns pelo fim da monografia, e boa sorte na apresentação = )
Beijo!
Assino embaixo de tudo que disseste, nem precisaria dizer. Quanto ao amigo, parabenizo pela despedida da fabico e desejo sucesso. Ainda, nas andanças da vida, nos encontraremos e faremos um brinde. Com Polar. Saludos!
[...] da monografia, e acho que maiores elucubrações filosóficas só repetiriam o que pode ser lido aqui, de modo que não vou ficar me estendendo nisso. O que me resta, agora, é olhar para o futuro – e [...]
[...] jornalismo na UFRGS. A torrente de pensamentos e questões que tal fato me trouxe já foi descrita aqui, e de fato acho que vocês já devem estar enjoados de tanto que eu falei disso no semestre que [...]